Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca - Aumento do HDL é tão benéfico quanto diminuição de LDL
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Cardiologia/Coração/CirurgCardíaca

Aumento do HDL é tão benéfico quanto diminuição de LDL

05/06/2003

Aumento do HDL é tão benéfico quanto diminuição de LDL, afirmam pesquisadores americanos e israelenses
ACC 2003


Um estudo israelense conduzido pelo Instituto do Coração do Sheba Medical Center, em Israel, avaliou o impacto do tratamento seletivo nas lipoproteínas de alta densidade (HDL) sobre a taxas de mortalidade e de eventos cardiovasculares.

O protocolo Bezafibrate Infarction Prevention (BIP) envolveu mais de 3.026 pacientes que foram randomicamente divididos em dois grupos. O primeiro com 1509 pacientes recebeu bezafibrato, medicação que aumenta seletivamente os níveis de HDL, e outro grupo recebeu  placebo.

O aumento do HDL foi avaliado através da proporção HDL/Colesterol Total (HDL-C). Quanto maior esta proporção, maior a quantidade relativa de HDL o paciente apresentará. De acordo com esta proporção os pacientes tratados com bezafibrato foram estratificados em três faixas:


I. Aqueles que mantiveram a proporção HDL-C               -4,8% a 2,2% de variação

II. Aqueles que apresentaram aumento moderado           2,2% a 5,1% de variação

III. Os que tiveram grandes aumentos na % de HDL        5,1 a 19,7%


Em mais de 8 anos de acompanhamento, a taxa de mortalidade total (de causas cardíacas e não-cardíacas) foi de 15.2% no grupo placebo e de 13,9% no grupo bezafibrato (p=0.33). Após análises entre os diferentes sub-grupos notou-se uma queda acentuada de mortalidade cardiovascular nos pacientes que apresentaram os maiores aumentos em suas taxas de HDL, sendo a mortalidade por eventos cardiovasculares no grupo III de 5,6% quando a do grupo controle foi de 8,9% (p=0.002).

Curiosamente, pacientes do grupo I apresentaram 10,9% de mortalidade de causa cardiovascular, superior ao grupo placebo. “A explicação para esse fenômeno ainda é um ponto de interrogação”, comentou a Dra. Henrietta Reicher-Reiss, que apresentou os dados em nome da equipe. “Acreditamos que estes pacientes possam ter uma pré-disposição genética favorável ao desenvolvimento de doença cardiovascular e por esse motivo tenham tido índices de mortalidade maiores. Outra possibilidade é de que sejam resistentes ao uso  da medicação. Estes pacientes com menor alteração do nível de HDL enfrentaram um aumento de 30% no risco de morte cardiovascular do que nossos pacientes do grupo controle.”



Um outro estudo, conduzido pelo Dr. Richard  A  Krasuski, do Wilford Hall Medical Center, de San Antonio, Texas,  também aponta para os benefícios que o aumento da fração de HDL pode trazer ao paciente.

O protocolo envolveu 143 pacientes estáveis com coronariopatia conhecida - diagnóstico comprovado por angiografia - com média de idade de (63 ± 7) anos. Dois grupos foram estabelecidos randomicamente: o primeiro fez uso de gemfibrozil, niacina e colestiramina, além de receberem orientação dietética e programas de atividade física e segundo foi o grupo controle.

Todos os pacientes foram acompanhados por 30 meses para avaliação clínica periódica e submetidos a uma segunda angiografia no final do protocolo. Na avaliação inicial não houve variação significativa nos parâmetros de pressão arterial, glicemia, índice de massa corpóreo, de frações de colesterol e triglicérides e de parâmetros angiográficos.

Após 30 meses, observou-se no grupo tratado:

-          Diminuição de 4% no peso corpóreo (1% no controle, p <0.001)

-          16% de redução no colesterol total contra 4 % de aumento no controle (p<0.001)

-          Redução de 5% nas taxas de LDL (21% de aumento no grupo controle (p<0.001)

-          37% de aumento de HDL (2% no controle)

-          45% de redução de triglicérides (2% de aumento no controle p<0.001)

19 pacientes do grupo controle e 9 do grupo tratado apresentaram eventos cardiovasculares adversos (AVC, angina instável, ataque isquêmico transitório) ou óbito. Segundo avaliação angiográfica houve redução de 1% no grau de estenose da lesão coronariana no grupo de pacientes tratados, contra 1 % de aumento nos controles (p=0.043).


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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