Novos preditores de risco para indicidência e prognóstico de doença cardio-vascular: BNP e PCR
ACC 2003
Dois importantes estudos apresentados hoje no segundo dia do Congresso da ACC reforçam as evidências de que o peptídeo cerebral natriurético (BNP – brain natriuretic peptide) e a proteína C reativa (PCR) atuam como preditores de risco de desenvolvimento de eventos cardiovasculares e como indicadores de prognóstico, especialmente em hipertensão arterial e insuficiência cardíaca
Nível basal elevado de proteína C reativa está associado a aumento do risco de morte e infarto miocárdico
Um estudo da Cleveland Clinic Foundation, conduzido pelo Dr. Joel P. Reginelli para determinar se o nível basal elevado de PCR antes da uma ICP intervenção coronariana percutânea (ICP) alteraria os resultados num prazo de 1 ano foi apresentado no segundo dia do Congresso da ACC. O nível elevado da PCR tem sido associado à piora dos resultados em 30 dias; no entanto, o prognóstico significativo a longo prazo deste achado não era bem estabelecido estabelecido.
Utilizando o banco de dados de registro intervencional, os autores identificaram 1644 ICP em pacientes nos quais o valor basal de PCR pré- procedimento foi coletado. Os pacientes foram divididos em 4 faixas (Q) com base no valor da PCR (em mg/dl):
I. PCR Normal – menor do que 0.16 mg/dL;
II. PCR discretamente aumentado - de 0.16-0.40 mg/dL;
III. PCR moderadamente Aumentado – de 0.41-1.10 mg/dL e
IV. PCR bastante aumentado – valores maiores que 1.10 mg/dL.
Em um ano de seguimento, observou-se que para cada aumento na concentração de PCR, houve um risco significativamente aumentado de morte e infarto do miocárdio em um ano (p<0.0001 para ambos os eventos).
Após ajustadas as variáveis de risco (idade, grau de lesão miocárdica, fração de ejeção do VE, insuficiência renal, infarto prévio e terapia com estatina), o valor basal da PCR permaneceu como fator preditor independente de morte ou infarto do miocárdio em 1 ano (Hazard Ratio=1.24, p<0.003).
“Concluímos que além do valor prognóstico demonstrado das evoluções a curto prazo após a ICP, os presentes dados sugerem que uma elevação no valor basal da PCR é um preditor igualmente potente dos resultados em 1 ano de seguimento com IPC.”, finalizou o autor do estudo.
Peptídeo natriurético prediz eventos cardiovasculares em hipertensão: estudo LIFE
Sabe-se que o peptídeo natriurético cerebral N-terminal (NT-proBNP) é um forte fator de risco cardiovascular em pacientes com insuficiência cardíaca crônica como também na população geral.
Neste segundo estudo, pesquisadores dinamarqueses do Glostrup University Hospital, em Copenhagen, investigaram então se os elevados níveis de NT-proBNP poderiam predizer mortalidade cardiovascular, AVC não fatal e IAM não fatal em pacientes com hipertensão e hipertrofia ventricular esquerda.
184 pacientes hipertensos que participaram do sub estudo Echo LIFE foram avaliados através de variáveis clínicas, laboratoriais e ecocardiográficas. Os pacientes apresentavam idade entre 55-80 anos (média de 66±7), com hipertrofia ventricular esquerda observada eletrocardiograficamente. Os níveis de NT-proBNP foram medidos através de imunoensaio (Elecsys proBNP) no valor basal e após um ano de tratamento.
Os fatores desencadeantes de morte cardiovascular ocorreram em 25 pacientes. O valor basal de NT-proBNP acima do valor médio de 185 pg/ml esteve associado com uma maior incidência de eventos desencadeantes (18.7% vs 8.7%, P<0.05). Doença cardiovascular conhecida (n=60), diabetes (n=20), história de doença cardíaca isquêmica (n=26) ou cerebrovascular (n=19), doença vascular periférica (n=5) ou insuficiência cardíaca crônica (n=2) foram também associados a uma maior incidência de fator desencadeante (24.6% vs. 8.9%,P<0.01).
Na em análises estatísticas regressivas, o tratamento para o controle do NT-proBNP (P<0.05) mostrou-se mais específico para predizer um evento adverso cardiovascular de grau leve do que doença cardiovascular anterior (P=0.054) e tabagismo ativo ou prévio (P=0.06).
Os níveis de NT-proBNP após um ano de tratamento também puderam predizer os eventos desencadeantes que ocorreram subseqüentemente (18.6% vs. 9.2%, P=0.07).
Os autores concluíram que o NT-proBNP é um forte fator de risco cardiovascular em pacientes com hipertensão e hipertrofia ventricular esquerda, especialmente no grupo sem diabetes ou doença cardiovascular observável.
“O NT-proBNP nos parece uma ferramenta prática e efetiva para avaliar a estratificação de risco em pacientes hipertensos.”, afirmou o Dr. Michael H. Olsen, em sua coletiva de imprensa.