O café faz com que os espermatozóides se movimentem com mais rapidez, revela um estudo divulgado por cientistas brasileiros no Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, no Texas. Um outro estudo, divulgado no mesmo congresso, mostra que a maconha, por sua vez, retarda os espermatozóides.
O estudo coordenado pelo brasileiro Fábio Pasqualotto, da Universidade de São Paulo (USP) sugere que a cafeína pode ser usada como base para o desenvolvimento de novos tratamentos para a infertilidade masculina.
Os cientistas chegaram a essa conclusão depois de analisarem os espermas de 750 homens — entre eles alguns que jamais bebiam café e outros que eram aficionados pela bebida.
Uso de maconha reduz volume de esperma
Os movimentos dos espermatozóides, sua concentração e os níveis de hormônio presentes no esperma se revelaram bastante similares entre homens que bebem pouco e os que tomam muito café. “Entretanto, a mobilidade dos espermatozóides se revelou maior em pacientes que costumam tomar café”, apontou o estudo.
Outro trabalho apresentado no congresso avaliou os efeitos da maconha sobre os espermatozóides e revelou um efeito inverso. Fumar maconha não apenas reduz o volume de espermatozóides produzidos como faz a célula masculina gastar muita energia num espaço de tempo muito curto.
Essa perda prematura de energia significa que, ao atingir o óvulo, o espermatozóide pode não ser capaz de fertilizá-lo. O novo estudo confirma o que já havia sido apontado em pesquisas anteriores: o uso da droga pode afetar a saúde reprodutiva dos homens.
O estudo foi realizado no Laboratório de Andrologia da Universidade do Estado de Nova York com amostras de sêmen de 22 homens que fumavam maconha há, em média, cinco anos.
Se a mulher fumar maconha isso também pode afetar a fertilidade masculina. Isso porque altos níveis de THC no trato reprodutivo feminino podem afetar os espermatozóides.
O Globo 15/10/2003