Um adolescente viciado em crack foi acorrentado pela mãe em um pilar na área de sua casa, no município gaúcho de Novo Hamburgo (35 km de Porto Alegre). O menino D., 16, estava foragido de sua mãe havia 12 dias. Na noite e na madrugada de quinta-feira, ela o manteve acorrentado pelo pé.
A Justiça atendeu ontem às súplicas da mãe e o internou no Hospital São Pedro, em Porto Alegre - o único credenciado do SUS (Sistema Único de Saúde) para tratar pessoas com problemas de dependência química.
O internamento foi conseqüência da atuação da promotora da Infância e da Juventude Jaqueline Marques da Luz, que ingressara com uma ação civil pública requerendo a avaliação e internação imediata do adolescente.
D. fora detido pela polícia na quarta-feira passada e entregue para a família. A mãe do garoto teve de se comprometer a procurar atendimento médico. O problema é que a mãe tentava internar o adolescente desde 2001, recorrendo ao Conselho Tutelar, Polícia Civil e Ministério Público. Em casa, ela sabia que o garoto não ficaria. Sairia para conseguir dinheiro e fumar.
A mãe do menino contou que ele chegou a ficar quase duas semanas praticamente sem dormir, excitado pela droga. Ao acorrentá-lo para evitar que fugisse, a mãe assegurou, além de sua permanência em casa, a abstinência - a qual ele confessava não conseguir atingir, em razão do vício.
Conscientemente, o adolescente, que costumava furtar objetos da própria casa para comprar crack, concordou com a situação. Comeu e dormiu na área. A família de D. é de classe média baixa. Para sustentá-la, a mãe do garoto prepara sanduíches em casa, e seu marido - pai de D.- os vende na rua.
Jornal O Povo - 01/02/2003