Márcia Regina Cortez
Tânia Maria Soares Arruda Caldeira Brant
Assessoras do Plano de Erradicação do Sarampo e Controle da Rubéola, Superintendência de Epidemiologia
Introdução
A rubéola é uma doença exantemática, de etiologia viral, conhecida desde o século XVIII. Era considerada como uma doença benigna da infância, de baixa morbidade e poucas complicações. Apresenta-se sob duas formas:
A rubéola pós-natal acomete pessoas de todas as idades, principalmente escolares, adolescentes e adultos jovens. O período de incubação oscila entre 16 e 18 dias e os pródromos têm duração de um a cinco dias. O paciente é contagiante desde o final do período de incubação até o quinto ou sétimo dia após o início do exantema.
A rubéola quando adquirida durante a gestação é uma importante causa de anomalias congênitas e até de morte fetal. Na década de 1960, após a epidemia de rubéola registrada na Europa e Estados Unidos (1962-1964), confirmou-se que essa doença, quando adquirida no primeiro trimestre de gestação, apresenta um risco de 80% a 90% de causar danos aos fetos nascidos de mães infectadas durante as primeiras 8 semanas de gestação. Essas taxas, porém, decrescem progressivamente até a 20ª semana. A porcentagem de malformações em crianças infectadas após a 20ª semana ainda não está bem estabelecida.
As crianças portadoras de Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) podem ser infectantes liberar o vírus - durante, pelo menos, os três primeiros meses de vida.
A SRC é uma doença grave e de elevado custo tanto psicossocial, como médico-assistencial. A gravidade da doença levou ao desenvolvimento da vacina contra a rubéola, cujo maior objetivo é a sua prevenção.
Eventos Importantes no controle da Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita
1866 – Henry Veale propôs o nome rubéola.
1941 – Norman McAlister Gregg descreveu os efeitos teratogênicos da rubéola na gravidez e as características clínicas da rubéola congênita.
1961 – Identificação e cultura do vírus.
1962-1964 – Epidemias de rubéola nos Estados Unidos e na Europa.
1969 – Licenciadas as primeiras vacinas.
1970 – Introdução da vacinação rotineira nos Estados Unidos para todas as crianças entre 12-15 meses de idade e campanha de vacinação para crianças entre 05 e 12 anos, no período de 1970 e 1971. Em 1970, a Grã Bretanha iniciou a vacinação em mulheres de idade pré-puberal.
1970 – Escolha da cepa RA 27/3 para a vacina adotada nos Estados Unidos.
1987-1989 – Declínio da SRC para menos de 0,1 por 100.000 nascimentos vivos nos Estados Unidos (queda de 99% desde a introdução da vacina).
1992 – Introdução do programa de controle da rubéola e da SRC no Estado de São Paulo, com a inclusão da vacina tríplice viral no calendário vacinal de rotina aos 15 meses.
1996 – Notificação compulsória da rubéola e SRC.
1996 – Implantação da vacina tríplice viral na rotina, em Minas Gerais, pela campanha de vacinação das crianças de 1 a 11 anos de idade; vacinação de puérperas nas maternidades ou na primeira visita ao centro de saúde.
1999 – Implantação da vigilância da rubéola/SRC com o grupo tarefa para erradicação do sarampo.
2000 – Campanha de seguimento e implantação da vacina tríplice viral, nos demais Estados, crianças de 1 a 11 anos.
2001 – Campanha de Vacinação com a Vacina Dupla Viral das Mulheres em Idade Fértil em Minas Gerais (12 a 29 anos) e mais 11 Estados da Federação.
2002 – Campanha de Vacinação com a Vacina Dupla Viral para as Mulheres em Idade Fértil nos Estados restantes.
Epidemiologia
A implantação do plano de "Eliminação do Sarampo", em âmbito nacional, no ano de 1992, permitiu o conhecimento da situação da rubéola como um problema de Saúde Pública. Em 1996, a rubéola e a SRC passam a ser doenças de notificação compulsória. Em 1999, o Ministério da Saúde implementa as ações do plano de Erradicação de Sarampo e Controle da Rubéola, tendo como meta interromper a circulação do vírus selvagem do sarampo no país e controlar a rubéola /SRC.
Em Minas Gerais, no período de 1999-2001, houve circulação do vírus da rubéola, como mostra a TAB 1. Este fato ocorreu em todo o país.
Com as atividades de vigilância a partir de 1999, houve melhoria significativa quanto ao critério de encerramento e conl1fmação dos casos por laboratório. Como mostra GRAF 1, 41,96% dos casos encerrados em 1999 foram confirmados por critério laboratorial; já em 2001, este percentual passa para 93,41%. Quanto ao critério de confirmação por laboratório passou de 23,6% em 1999 para 76,97% em 2001 (GRAF 2).


Quando se analisa este critério por Diretoria Regional de Saúde, observa-se que em 6 Diretorias Regionais de Saúde não houve caso confirmado; em 7, todos os casos foram confirmados laboratorialmente e, em 10 delas, houve uma heterogeneidade quanto à confirmação laboratorial e clínica, como mostra a TAB 2.

Analisando o GRAF. 3, pode-se observar que, no ano de 1999, as maiores incidências da rubéola aconteceram nas faixas etárias de menores de um ano e de 1 a 4, seguida de queda dessa incidência nas faixas etárias de 5 a 9 e de 10 a 14 anos, voltando a aumentar na faixa etária de 15 a 19 anos, em 2002 e 2001.
Por outro lado, o GRAF. 4 mostra que a confirmação da rubéola por critério de laboratório - em 1999 - na faixa etária menor de um ano foi de apenas 16,6% e em 2000 e 2001 tal confirmação, na faixa etária de 15 a 19 anos, foi de 87% e 94%, respectivamente.

Analisando-se os Graf. 5 e 6, nota-se que não houve uma variação significativa relativa ao sexo. Apenas no ano de 2001 houve uma maior incidência no sexo masculino na faixa etária de 20 a 29 anos (0,7 de incidência para o sexo feminino e 1,2 para o sexo masculino). O risco relativo para o sexo masculino, em 2001, foi de 1,7 devido a um surto em uma granja em um município da região oeste, cujos trabalhadores eram do sexo masculino.

Conclusão
Analisando-se o comportamento da rubéola durante esses três anos no Estado de Minas Gerais, pode-se observar que ocorreu uma melhoria da vigilância epidemiológica. Os casos de rubéola estão acontecendo na faixa etária de 15 a 29 anos, (faixa esta não coberta pela vacinação de rotina). Nas faixas etárias: menores de um ano, de 1 a 4 e de 5 a 9 anos o diagnóstico foi predominantemente clínico: 84%,82% e 82%, respectivamente .
Recomendações
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Cumprir o indicador de 100% dos casos encerrados por critério de laboratório.
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Acompanhar e avaliar mensalmente as coberturas vacinais para triviral, com o objetivo de melhorar a homogeneidade das coberturas.
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Incrementar a vacinação de rotina para mulheres de 12 a 49 anos contra rubéola.
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Divulgar informações da situação epidemiológica da rubéola no Estado.
Incidência de algumas doenças de notificação compulsória,
no Estado de Minas Gerais, no ano 2000.
Dr. Carlos Henrique Mudado Maletta
Assessor do Centro de Informações Epidemiológicas da Superintendência de Epidemiologia da SES/MG
A análise dos dados de morbidade no Estado de Minas Gerais foi feita com certa dificuldade, devido aos problemas gerados por incompleta digitação e investigação de dados no Sistema de Informação Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), bem como a problemas internos do próprio sistema.
Os dados de algumas doenças, que têm um sistema próprio, foram obtidos diretamente com os coordenadores desses programas. Para as demais doenças, os dados foram retirados do SINAN.
A análise foi feita, dividindo-se as doenças em dois grupos: as doenças imunopreviníveis e as doenças para as quais têm-se estratégias especiais de controle.
As TABs 1 e 2 mostram o número de casos notificados e confirmados de algumas doenças de notificação compulsória, no Estado de Minas, no ano de 2000.
Na TAB 1, pode-se observar que as taxas de incidência da coqueluche, da difteria, do tétano acidental e neonatal têm-se mantido em níveis compatíveis com o controle dessas doenças.
A taxa de incidência do tétano neonatal é, atualmente, menor que 1 caso por 1000 nascidos vivos (N.V.).
A poliomielite foi erradicada em 1994; e o último caso confirmado da doença, em Minas Gerais, ocorreu no município de Santa Maria do Itabira em dezembro de 1987. No Brasil, o último caso ocorreu em março de 1989, no município de Souza, na Paraíba. As Américas receberam o Certificado de Erradicação da Poliomielite em 1997.
No ano 2000, foram notificados 53 casos de paralisia flácida aguda (PFA), com uma taxa de 1,0 caso por 100000 hab. do grupo etário de menores de 15 anos.
O sarampo - doença grave - que até 1992 apresentava-se em forma endêmica, não teve nenhum caso registrado no ano 2000.
Em Minas Gerais, a média de casos de meningites em geral, por ano, no período de 1990 a 2000, foi de 2 576 casos. Quando se compara essa média com a de internações (SIAH), observa-se que a subnotificação é grande. No período de 1993 a 2000, a média de internações por essa doença foi de 3 394 casos (Boletim Epidemiológico -SES/MG,ANO V n° 3, Maio/Junho 2001).
A doença meningocócica ainda exige atenção especial, por poder apresentar-se em forma de severas epidemias.
A hepatite viral tem sido motivo de preocupação em quase todas as Diretorias Regionais de Saúde (DRS), apresentando uma taxa de incidência de 13,86 casos por 100000 habitantes em Minas Gerais.
Com o programa de eliminação da Rubéola Congênita, espera-se a redução drástica dessa doença.
Foram confirmados 42 casos de Chagas agudo, com uma taxa de 0,24 casos por 100 000 habitantes.
A dengue é atualmente um dos mais graves problemas de Saúde Pública no Brasil.
Em virtude de os sinais e sintomas da dengue se confundirem com os de outras doenças febris, sua magnitude está bastante subestimada (Boletim Epidemiológico –FUNASA ANO III -1999)
Foi observada, uma taxa de 84,42 casos confirmados de dengue por 100000 habitantes, em Minas Gerais no ano 2000.
A febre amarela é motivo de preocupação, pois casos esporádicos têm ocorrido no Estado. Grande parte do território mineiro faz parte da "área de transição" da doença no Brasil.
As leishmanioses continuam sendo sério problema para Minas Gerais, com a ocorrência de grande número de casos.
A correta implementação das ações de vigilância e a adoção de medidas de prevenção e controle têm reduzido expressivamente a incidência e a mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias. Entretanto, o fenômeno mundial de emergência e reemergência de algumas doenças transmissíveis, como o surgimento da AIDS, a reintrodução da cólera, a hantavirose, a leptospirose, as epidemias de dengue e leishmaniose, fez com que estas doenças passassem a merecer prioridade nacional.
A TAB. 2 fornece os dados relacionados a outro grupo de doenças no ano 2000.

Alterado o "Calendário Básica de Vacinação"
Dr. José Geraldo Leite Ribeiro
Médico da Superintendência de Epidemiologia da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais
De acordo com a orientação do Comitê Assessor em Imunização do Programa Nacional de Imunizações, a Secretaria de Estado da Saúde – (SES/MG) alterou o Calendário Básico de Vacinação. Foi suprimida a dose de vacina contra o sarampo, devendo todo o esforço ser feito no sentido de aplicar duas doses de TRIVIRAL em todas as crianças, sendo uma dose aos 12 meses de idade e uma 2a dose em Campanha, antes dos cinco anos de idade, respeitado o intervalo mínimo de 30 dias.
Recentemente a SES estendeu o uso da vacina contra a Hepatite B,para todos os menores de 20 anos de idade.Veja o calendário abaixo:
1 - O intervalo mínimo entre a 1ª dose da VACINA CONTRA HEPATITE "B" e a 2ª é de 30 dias. Entre a 3ª e a 2ª, 60 dias e entre a 3ª e a 1ª, 6 meses. Não existe intervalo máximo entre as doses.
2 - Para as crianças que iniciarem o calendário em 2002, o ideal é substituir DTP + HiB pela vacina TETRA-VALENTE.
3 - Acima de 1 ano de idade: HiB (Contra Haemophilus) dose única.
4 - Uma dose adicional de vacina TRI ou DUPLA VIRAL deverá ser aplicada em campanhas de seguimento antes dos 5 anos de idade.
5 - ldade máxima para receber DTP: 6 anos, 11 meses e 29 dias. Reforço com dT de 10 em 10 anos, contados a partir da última dose de DTP.
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