Na atividade esportiva o entorse de tornozelo é o traumatismo mais freqüente. Na maioria das vezes existe uma ruptura de ligamentos. Em alguns casos mais raros existe uma alteração da cartilagem que é chamada de fratura osteocondral do tálus ou do osso astragalo, do pé. Essa lesão, que não atinge o osso também é chamada de osteocartilaginosa da cúpula talar, seria na realidade uma osteocondrite dissecante do tálus, fratura transcondral do tálus ou fratura do domo talar, que, na maioria das vezes, está associada a lesões dos ligamentos do tornozelo. Nem sempre esta fratura é reconhecida nas radiografias iniciais feitas nos Pronto Socorros e, dessa forma, passa desapercebida, sendo suspeitada somente a partir de queixas de dor, edema e rigidez crônica do tornozelo. Nas lesões póstero-mediais da cúpula talar pode ocorrer um distúrbio isquêmico trazendo problemas para a cartilagem local. Com o impacto do tálus contra as estruturas da pinça do tornozelo, surge uma força de cizalhamento no momento da entorse. As fraturas ântero-laterais são causadas por mecanismo de inversão e dorsoflexão, enquanto as lesões póstero-mediais são causadas por um mecanismo de rotação tibial lateral sobre um pé em flexão plantar e inversão. Se existe essa suspeita somente a Ressonância Magnética ou Tomografia Computadorizada tem capacidade de identificar lesões cartilaginosas e de compressão trabecular subcondral. Outro método de avaliação é o exame artroscópico do tornozelo, que oferece visão direta da lesão e possibilidade de tratamento. O tratamento é conservador, com imobilização para a proteção dos movimentos do tornozelo e redução das atividades físicas. Quando o fragmento fica desalinhado o tratamento é cirúrgico, ou por via artroscópica naqueles casos onde o equipamento estiver disponível.
D.E. Robinson e colaboradores, ortopedistas do Hospital Southmead, da cidade de Bristol, Inglaterra fazem uma revisão de 65 casos (46 homens e 19 mulheres, idade média de 34,2 anos) submetidos a uma cirurgia artroscópica de fratura osteocondral do tálus. Os pacientes tiveram um seguimento médio de 3,5 anos. Em 45 pacientes a lesão foi medial, e em 20 foi lateral. Todas as lesões laterais 35 (75%) das lesões mediais tiveram origem traumática. As lesões mediais surgiram 3 anos após o traumatismo com 46% de presença de cisto, comparadas a 1,5 anos depois das lesões laterais, com a incidência de 8% de cisto. Com um seguimento médio de 3,5 anos, 34 pacientes foram considerados com bons resultados, 17 pacientes com resultados médios e 14 maus resultados (sendo que desses 13 tinham lesões mediais). As lesões císticas, trouxeram maus resultados em 53% das pacientes. Excisão e curetagem trouxeram melhores resultados do que excisão com uso da broca na base do osso. Nesses casos de maus resultados novas cirurgias artroscópicas tiveram resultados desanimadores. Os autores não encontraram nenhuma associação entre os resultados e a idade dos pacientes.
J Bone Joint Surg Br. 2003 Sep;85(7):989-93.