Mais uma peça do complexo quebra-cabeça da reposição hormonal.
Pesquisadores americanos anunciaram ontem os resultados de um novo estudo: mulheres na menopausa submetidas a uma terapia baseada apenas em estrógeno têm mais riscos de desenvolver câncer de ovário.
O estudo, do Instituto Nacional do Câncer (INC), dos EUA, surge logo depois da divulgação de outros dois trabalhos que concluíram que o estrógeno combinado à progesterona não protege, de um modo geral, contra problemas cardíacos e pode ainda aumentar os riscos de câncer de mama, derrame e coágulos sangüíneos.
Nos EUA, cerca de 8 milhões de mulheres são tratadas apenas com estrógeno e quase 6 milhões usam a substância com a progesterona. Somados, os dois métodos são usados por 13,5 milhões de mulheres.
James Lacey, pesquisador do INC e autor do estudo, publicado na edição desta semana do Journal of The American Medical Association, disse que não havia prova suficiente para confirmar risco de câncer no ovário com o uso de estrógeno com progesterona.
"A principal descoberta do nosso estudo foi que mulheres na fase da menopausa que usaram terapia de reposição com estrógeno por dez anos ou mais tiveram um risco significativamente maior de desenvolver câncer de ovário do que as mulheres que nunca se submeteram à reposição hormonal", diz Lacey.
O estudo envolveu 44 mil mulheres cujo histórico de saúde foi acompanhado ao longo de 20 anos. Os pesquisadores descobriram que as que fizeram reposição apenas com estrógeno tiveram riscos 60% maiores de desenvolver câncer de ovário, se comparadas com outras que não fizeram reposição.
Combinados - Na década de 40, segundo o INC, as mulheres começaram a usar altas doses de estrógeno para combater os desconfortos da menopausa. Nos anos 70, porém, quando ficou claro que isso elevava muito o risco de câncer de útero, médicos passaram a prescrever progesterona com doses menores de estrógeno.
Terapias baseadas apenas em estrógeno continuam sendo amplamente usadas para mulheres que passaram por uma histerectomia (retirada do útero). Dentre as mulheres observadas no estudo do INC, algumas já haviam passado pela cirurgia, mas todas tinham pelo menos um ovário.
Um editorial publicado no jornal diz que o estudo de Lacey, assim como outros dois anteriores, indicam que pode haver uma conexão causal entre estrógenos e câncer de ovário. Mas enquanto essas pesquisas não estabelecem que há de fato uma causalidade, o editorial recomenda que médicos deveriam considerar cuidadosamente se sugerem tratamentos baseados apenas em estrógeno.