Stress/estresse - Stress: uma nova visão psicológica
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Stress/estresse

Stress: uma nova visão psicológica

05/06/2003

    Estudos das neurociências demonstram que nosso cérebro se assemelha a um computador de altíssima geração. O cérebro comanda nosso corpo, e interage com ele e com o meio, se auto regulando permanentemente, para manter a estabilidade e garantir a sobrevivência.

    Cada um de nós vive um processo permanente de troca com o meio ambiente e com isso vamos desenvolvendo  novos recursos de adaptação.

    O cérebro capta os estímulos externos através dos órgãos dos sentidos, e esta mensagem é decodificada e processada no córtex cerebral através de reações bioquímicas, elétricas e eletromagnéticas. Com isso, cada organismo cria um "estado" (sensações, emoções) e uma fisiologia própria que determina uma resposta aquele estimulo, ou seja, um comportamento. Desde a Idade da Pedra, o homem vem tendo que lutar para sobreviver. Para se adaptar ao meio, muitas vezes hostil, o organismo desenvolve um mecanismo de defesa que esta centrado no cérebro e é disparado toda vez que o homem está diante de um perigo ou ameaça. Esse mecanismo determina o comportamento de "luta" ou "fuga" que este presente em todos nos quando nos sentimos  “ameaçados".

    As ameaças podem ser reais ou imaginárias. Ameaças reais como competição no ambiente de trabalho dificuldades de relacionamento, trânsito complicado nas grandes cidades, diferentes tipos de poluição, crise financeira, instabilidade de emprego, falta de moradia, assaltos etc., são freqüentes em nossas vidas atualmente e mais fáceis de ser percebidas e compreendidas.

    Ameaças imaginárias são aquelas que consideramos como situações "provavelmente" intransponíveis. É muito comum nos sentirmos preocupados com situações que ainda não foram resolvidas. Exatamente por não terem sido resolvidas ainda. Nesses momentos nos sentimos desconfortáveis, inquietos e tensos. O córtex cerebral "avisa" outra área do cérebro, o hipotálamo, para "armar" o organismo, e este por sua vez, envia a mensagem a glândula hipófise. Ela então "manda" a supra-renal produzir mais hormônios como os corticóides e a adrenalina. São eles que vão preparar o corpo para lidar com a situação ameaçadora (real ou imaginária) e, em poucos segundos começa uma revolução interna. A pressão arterial e os batimentos cardíacos aumentam para bombear mais sangue para os músculos, e a respiração se acelera para oxigená-los melhor.

    Concomitantemente vivenciamos diferentes formas de bloqueio a essas reações (fuga ou ataque) como censuras sociais e principalmente auto censura.

    Tenhamos por bloqueios, imposições como termos que cumprir regras sociais, nos submeter as manobras políticas, "engolir" as raivas, medos, aborrecimentos, frustrações, inseguranças. Com isso, muitas vezes nos vemos "impedidos" de reagir imediatamente e portanto, "impossibilitados" de descarregar todo esse mecanismo orgânico "armado" a partir da situação ameaçadora (real ou imaginária).O ser humano possui, por essência, potenciais infinitos de transformação.

    A questão está em identificar o que pode e o que não pode ser transformado. Adaptação não pode ter uma conotação passiva, mas sim a de uma aceitação ativa e consciente de uma realidade que não pode ser modificada e com a qual o homem deve aprender a conviver para não ficar sofrendo desnecessariamente. Tem coisas que podemos, tem coisas que não podemos. Identificar limites entre os "possíveis" e os "impossíveis" parece ser a grande questão humana.

    Transformação pressupõe identificação daquilo que precisa e pode ser modificado. Dai a necessidade do autoconhecimento e da estimulação dos processos de percepção dos estímulos a nossa volta. Quanto mais nos conhecermos, melhores condições teremos de equilibrar nossas emoções às circunstâncias externas ou modificar o que nos perturba.

    Quando ficamos "armados" e prontos para nos defender ou atacar permanentemente, e como se partíssemos do princípio de que perigo pode vir de qualquer parte e a qualquer momento e pode nos atingir. E como se as situações ameaçadoras (reais ou imaginárias) não deixassem de existir, ou não nos dessem "nenhuma folga". Com isso subestimamos nossos potenciais de criatividade e ignoramos forças que possuímos, ou que muitas vezes sequer percebemos que temos.

    O stress pode ser considerado uma psicopatologia quando inibe qualquer possibilidade de resgate de descontração (o "desarmar") podendo bloquear tanto elaborações interiores (mundo subjetivo das emoções) como atitudes e comportamentos diante de diferentes situações (pseudo-alienação, pseudo-inércia etc.)

    Não basta compreender o mecanismo do Stress. É fundamental que cada um identifique o grau de conhecimento que tem de si mesmo e do contexto em que vive.

    Ao flagrar o momento exato em que a sensação de "perigo" se manifesta, devemos procurar identificar o que a provocou. Algo real? Algo imaginário? Algo possível de ser modificado, mesmo que difícil? Algo impossível de ser modificado?

    Muitas vezes temos gratas surpresas ao respondermos as perguntas acima pois na maioria das vezes esse "medo" e infundado e quando não desmistificado pode gerar stress, com serias conseqüências individuais e sociais (psicopatologia). Permitir uma trégua na luta pela sobrevivência, até para poder garantir um fortalecimento para que menos coisas sejam percebidas como "ameaçadoras" favoreceria muita economia de energias, emocional e orgânica, que poderiam então estar sendo utilizadas em questões mais "interessantes produtivas para o mundo em que vive, melhorando a qualidade de vida.


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