A ariranha é uma espécie de lontra, distinguindo-se desta, principalmente, pelo grande porte.
Pode ser encontrada em quase todo território brasileiro, exceto na Caatinga e nas florestas de baixada. A região amazônica concentra muitos dos indivíduos encontrados no Brasil, especialmente na Reserva Indígena Xixuaú-Xiparinã, em Roraima.
Suas características físicas são bem definidas: corpo alongado, pernas curtas, cabeça chata, orelhas pequenas e arredondadas, pelagem densa e membranas interdigitais nas patas. A cauda, musculosa e aplainada, tem formato de remo e varia entre 30 e 80 centímetros, representando 1/3 de seu corpo. Normalmente, apresenta uma mancha branco-amarelada que se estende desde o lábio até o peito. Possui forte dentadura, além de audição e olfato excelentes. Pode atingir até 2,20 metros de comprimento. As fêmeas, consideradas de menor porte, chegam a pesar 26 kg, enquanto os machos 34 kg.
É um dos maiores carnívoros do continente sul-americano, alimentando-se principalmente de peixe, além de pequenos mamíferos, aves aquáticas e ovos. Possui hábito diurno e semi-aquático. Vive ao longo das margens dos rios e lagos. Sendo ótima nadadora, mergulha fundo nas águas para caçar suas presas que serão devoradas em terra.
A ariranha é um dos poucos carnívoros brasileiros que apresentam estrutura social e grupo familiar com forte ligação entre pais e filhotes. Cada ninhada pode variar entre 2 a 5 filhotes e os grupos são formados por até 8 indivíduos. É considerada territorialista e, por vezes, barulhenta. Para se comunicar com os demais integrantes do grupo emite sons agudos e sopros.
Devido à caça ilegal para comercialização de sua pele e destruição do habitat onde vive, a população de ariranhas está bastante reduzida. Além de fazer parte da lista oficial de espécies em extinção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, está classificada como espécie em perigo pela Internacional Union for Conservation of Nature and Natural Resources - IUCN e United States Department of the Interior - USDI.
Encontra-se ameaçada em 7 países e está praticamente extinta na Argentina e Uruguai. No Brasil, estão sendo desenvolvidos programas que objetivam aumentar o conhecimento sobre a espécie e evitar sua extinção.
Desde 1985, o Centro de Preservação e Proteção de Mamíferos Aquáticos de Manaus, em parceria com o IBAMA, vem desenvolvendo um programa que visa à criação e conservação de mamíferos aquáticos, como o peixe-boi, o tucuxi, o boto-cor-de-rosa e a ariranha.
O Laboratório de Mamíferos Aquáticos, localizado também em Manaus, mantém ariranhas em cativeiro, com as quais está desenvolvendo pesquisas sobre digestibilidade, endocrinologia, nutrição, comportamento e crescimento. Esses estudos podem revelar aspectos impossíveis de serem observados na natureza. São realizados concomitantemente aos trabalhos ecológicos em ambiente natural.
O Zoológico de Brasília desenvolve 2 projetos com as ariranhas. Um visa a pesquisa científica, com a observação intensiva do comportamento do grupo familiar da espécie; outro busca a educação ambiental entre os visitantes do zôo.
Fonte: Ecosolidariedade