Pesquisadores norte-americanos anunciaram que conseguiram implantar células clonadas em bezerros, e a partir disto formar órgãos parecidos com rins e tecido cardíaco sem rejeição. Em um artigo na edição de junho da revista Nature Biotechnology os cientistas responsáveis pelo projeto afirmam que isso demonstra que a clonagem pode ajudar a criar tecidos e órgãos que funcionam sem o risco de rejeição.
Os pesquisadores clonaram bezerros usando tecidos de suas orelhas para dar origem a embriões minúsculos. O tecido desses embriões foi destinado a criar órgãos pequenos e parecidos com os rins que funcionavam normalmente. A equipe científica removeu parte do tecido dos embriões clonados e transformou o tecido renal em estruturas artificiais, que cresceram na forma de rins quando foram transplantadas de volta para o bezerro do qual se originou o clone. O resultado foi melhor que o esperado. "As próprias células se agregaram no animal", observou Lanza. As células renais formaram um órgão pequeno e parecido com um rim. Para comparar, os cientistas usaram células de um outro bezerro para fazer um rim artificial similar e, como esperado, o sistema imunológico do bezerro atacou e matou essas células.
A equipe do Hospital Infantil de Boston e da empresa Advanced Cell Technology de Massachussets, que financiou o estudo, esperam com isto refutar a teoria de que a clonagem não funciona. Frente a acusação de que a clonagem terapêutica é possível apenas em teoria, já que nenhum animal tem o DNA 100% igual ao seu "original", o diretor médico da companhia, Robert Lanza, mostra seus resultados: "eles removeram em até 80% as toxinas do sangue do que é considerado normal para a urina", disse falando do resultado dos exames dos rins.
Críticos dizem que a clonagem não vai funcionar porque a técnica de transplante de célula somática nuclear, usada para fazer a ovelha Dolly e outros animais clonados, não faz uma duplicata genética exata. Os cientistas pegam um óvulo, removem seu núcleo e o substituem por um núcleo retirado de um animal que será clonado. Vários métodos são usados para iniciar a divisão do óvulo quando ele é fertilizado por um espermatozóide.
Os animais resultantes da técnica, entretanto, não têm 100% do DNA do animal de origem. Virtualmente, todo o DNA está no núcleo de uma célula, mas parte dele é encontrado na forma de DNA mitocondrial, que é o corpo do óvulo. Todos os animais clonados têm o DNA mitocondrial do óvulo de origem, e não o do animal clonado. "É a presença de um DNA estrangeiro que aumenta a dúvida sobre se as células clonadas seriam rejeitadas", disse Lanza.
Reuters