10 de junho, 2002
Boston
Os médicos poderão evitar que os recém-nascidos recebam tratamentos desnecessários com antibióticos graças a duas novas análises de sangue que detectam com precisão a presença da sífilis, segundo um estudo publicado na edição de quinta-feira do New England Journal of Medicine.
Atualmente, o governo norte-americano recomenda que todos os recém-nascidos de mulheres com sífilis - uma doença venérea, produzida por uma bactéria, contagiosa, transmissível por hereditariedade e que pode ser mortal - permaneçam no hospital durante 10 dias adicionais, para receber tratamento com antibióticos.
No entanto, segundo os autores do estudo, entre 20 e 40 por cento desses bebês não necessitam de antibióticos, já que não são portadores da bactéria que causa a doença, a espiroqueta.
"É um desperdício de recursos. O bebê deve estar com a sua mãe, não no hospital", comentou o diretor da equipe científica do Centro Médico de Texas Southwestern, em Dallas, nos Estados Unidos, Pablo Sánchez.
Sánchez declarou que, com as novas análises, pode determinar-se quando é necessário o tratamento e se uma só dose de penicilina de ação prolongada é suficiente para acabar com a infecção.
No entanto, as análises ainda não estão disponíveis no mercado.
Ainda que os métodos de detecção tradicionais, tais como os rais X, a contagem de glóbulos vermelhos e as punções lombares, tenham identificado 16 dos 17 bebês cujo sistema nervoso estava infectado por sífilis, as análises de sangue detectaram todos os casos, conclui o estudo.
(Com informações da Reuters)