Oftalmologia/Olhos - Transplante de córnea
Esta página já teve 89.043.102 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 26.991 acessos diários
home | entre em contato
 

Oftalmologia/Olhos

Transplante de córnea

13/11/2003
 

RENOVAÇÃO

Médico retira a córnea doente de Leandro Custódio, que tinha apenas 5% de visão

Banco de Olhos de Joinville completa neste mês 21 anos de atividade, contabilizando 543 cirurgias; em 99, já são 38

Graziela Lindner

O dia 19 de junho de 1994 vai ficar marcado para sempre na memória de Orandina Amandio, 66 anos. Há cinco anos ela recebeu a notícia de que seu filho, aos 23 anos, não sobrevivera a um acidente de trânsito. A dor provocada pela morte de alguém tão querido não impediu que ela lembrasse dos pacientes que aguardam na fila de espera por um transplante. Sem pensar duas vezes, autorizou a retirada das córneas.

O dia 22 de setembro de 1999 também vai ficar marcado para sempre na memória de Orandina Amandio. Foi quando ela conheceu João Flávio Hostin Moreira Júnior, 29 anos, receptor de uma das córneas de seu filho. O encontro aconteceu no Banco de Olhos de Joinville, na quarta-feira pela manhã. "É um pouco do meu filho que continua vivo", diz, emocionada. João Flávio satisfez o desejo de Orandina em conhecê-lo, mas prefere não manter laços. "Não acho muito legal ter um envolvimento com a família do doador", justifica.

Vítima de um acidente de trânsito há dez anos, ele perdeu a visão e, desde então, vem lutando para recuperá-la. João Flávio já passou por sete transplantes e sabe como a doação é importante. "Fui a Belo Horizonte e, em um único mês, cheguei a fazer três cirurgias", lembra. Depois da notícia da morte do pai, em 1993, ele autorizou, imediatamente, a retirada das córneas. "Sei como a espera é difícil e, felizmente, recuperei a visão no lado esquerdo graças à conscientização de algumas pessoas", comemora.

Histórias como a de Orandina Amandio e João Flávio Moreira Júnior se repetem com freqüência no Banco de Olhos de Joinville. Completando mais um ano de atividade na próxima quarta-feira, dia 29 de setembro, a entidade tem feito esforços para garantir a continuidade dos trabalhos. Nos 21 anos de atuação, o Banco de Olhos realizou 543 transplantes e, somente em 1999, foram 38 cirurgias.

Sofia Maria Pinto Hilgenstiler, coordenadora técnica e administrativa da instituição, diz que 86 pessoas continuam na fila de espera. O tempo entre a inscrição no Banco de Olhos e o transplante leva, em média, um ano. "Estamos em campanha diariamente e fazemos visitas constantes nos hospitais para conscientizar a equipe de enfermagem", diz. "A conscientização é nossa maior arma", continua o oftalmologista João Alfredo Dietrich, diretor médico da entidade.

Apesar de o número de doadores não ter aumentado nem mesmo depois da lei de doação de órgãos, o Banco de Olhos de Joinville orgulha-se de ser o pioneiro e um dos mais ativos de Santa Catarina. "Na verdade, a nova lei não nos beneficiou em nada. Os resultados só aparecem quando investimos na conscientização dos funcionários dentro dos hospitais", anuncia o diretor, lamentando a desinformação da comunidade e até dos profissionais da área de saúde. "Somos muito vulneráveis a escândalos".

Filiada à Associação Panamericana de Banco de Olhos, a instituição joinvilense conta hoje com um grupo de 25 voluntários que atuam em campanhas de conscientização. "É um processo lento e contínuo, mas não desistimos", avisa Sofia Maria, que fez o curso técnico em banco de olhos na Colômbia, em 1991.

Os médicos também trabalham voluntariamente e a presidência da entidade esteve, durante 12 anos, nas mãos de Abigail Baschung. Atualmente, o empresário Indio Negreiros é quem está à frente dos trabalhos e um dos responsáveis pela fundação do Banco de Olhos é o oftalmologista Newton Rodrigues Salerno, que hoje exerce o cargo de vice-diretor médico.

http://an.uol.com.br


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos