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| Reedição de uma pose clássica: cavaleiro e montaria dissecados. | | | |
DM - O Quirguistão, ou mesmo a China, não são destinos usuais para um pesquisador europeu. Nada contra esses países, mas eles simplesmente estão um pouco fora da rota acadêmica. O que o levou para eles? Hagens - Enquanto os anatomistas ocidentais (por exemplo, da Alemanha, Reino Unido e EUA) migraram para o nível molecular (microscopia eletrônica, biologia celular e biologia molecular), os anatomistas orientais (Rússia, Quirguistão, China e Tailândia, por exemplo) não tiveram o financiamento necessário para fazer a mesma migração. Permaneceram trabalhando com cadáveres e continuaram com a anatomia macroscópica. Esta, nos países ocidentais, mudou de rumo e é realizada hoje por clínicos, como os ortopedistas. A principal revista acadêmica nesse campo, Clinical anatomy, já mostra no título qual a tendência nesse campo. Assim, os países orientais não apenas são melhores em anatomia macroscópica, como mais interessados no assunto. Dessa forma, tive propostas para professor visitante em Dalian e professor honorário em Bishkek, mas nada a partir da Alemanha ou dos EUA. A Universidade Médica da Dalian construiu para mim um instituto de 800 m2 e, de fato, em nenhum outro lugar encontrei tantos anatomistas altamente qualificados.
DM - De onde vêm as verbas que mantêm os institutos? Hagens - O instituto de Heidelberg é privado e dá consultoria a universidades e outras instituições a respeito do uso da técnica de plastinação. Seu foco principal está no constante desenvolvimento da técnica de plastinação. Oferece cadáveres plastinados a instituições de pesquisa e ensino. O preço está em torno dos 40 a 50 mil euros (em média, cerca de R$ 130 mil), o que deriva do número de horas empregadas em sua produção: cerca de 1.500 para cada peça. Mas ela não é vendida para qualquer pessoa. O interessado deve ser professor registrado ligado a uma instituição de ensino. Não existem absolutamente vendas para pessoas físicas. Além dessa renda, o instituto vende material para plastinação para 400 instituições em 40 países. Além disso, organiza a exposição Bodyworlds.
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Um sucesso da exposição é o goleiro que ensaia uma defesa. | | |
DM - Como é a estrutura do instituto? Hagens - O Instituto de Plastinação, em Heidelberg, do qual sou o diretor científico, tem um efetivo de 30 pessoas. O mesmo número de pessoas está empregado na Academia Estadual de Medicina, em Bishkek, no Quirguistão, sob minha supervisão. Na China, na Universidade Médica de Dalian, 20 pessoas estão sob minha coordenação e, além disso, mais 170 pessoas estão empregadas em minha companhia privada em Dalian.
DM - De acordo com o catálogo de sua exposição em Londres, a técnica de plastinação foi desenvolvida em 1977. Por que você esperou 20 anos para fazer uma exposição pública? Hagens - O processo estava desenvolvido e patenteado em 1977, mas só em 1990 conseguimos plastinar o primeiro corpo inteiro. Foi necessário desenvolver tecnologias complementares e novos polímeros de forma obter os bons resultados que podemos mostrar hoje. E esse desenvolvimento ainda continua. Por exemplo, inventei a plastinação de folha (para plastinar fatias transparentes de corpos), a cura por gás (para permitir uma rápida cura do espécime plastinado) e a emulsificação de polímeros (que permite fazer espécimes com aparência natural). No momento, estou muito ocupado no desenvolvimento de uma forma atraente de plastinar vasos linfáticos.
DM - Existem planos para trazer Bodyworlds ao Brasil? Hagens - Não por ora, pelo menos.
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A Eternização depois da morte Passo-a-passo de 1.500 horas de trabalho
1- EMBALSAMAMENTO A decomposição dos corpos é detida pelo uso de formaldeído.
2- DISSECAÇÃO Os espécimes são dissecados com fórceps e escalpelos.
3- REMOÇÃO DE FLUIDOS A peça é resfriada e os líquidos são removidos do corpo, sendo substituídos por acetona, em um longo banho em acetona gelada.
4- REMOÇÃO DE LÍQUIDOS A peça é então aquecida, ainda em um banho de acetona, para retirada de toda a gordura solúvel.
5- IMPREGNAÇÃO Em uma câmara de vácuo, a acetona é lentamente extraída e substituída por plástico.
6- POSICIONAMENTO A esta altura, a peça plastinada é bem flexível. É então posicionada convenientemente.
7- CURA A peça é curada em gás, para que fique na posição desejada.
8- FINALIZAÇÃO Aplicação de borracha de silicone para que a peça possa enfim ser exposta. | |
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Para sua estante
Para conseguir o catálogo da exposição Bodyworlds, que traz não apenas fotos de todo tipo de peças plastinadas, mas longos textos técnicos e sobre os dilemas éticos envolvidos no empreendimento, vá ao site www.bodyworlds.com. Preço, mais as taxas de correio: cerca de R$ 150.
A coleção do Museo La Specola é fantástica, com peças em cera que têm, em média, 200 anos. São desmontáveis, em camadas, perfeitas para a época e aceitáveis em termos gerais, mesmo hoje. O livro que mostra a coleção, Encyclopaedia Anatomica, da Taschen, custa R$ 45, na Livraria Cultura. | | |
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Links comentados
1- Atlas de anatomia - Todo estudante de medicina conhece o "Atlas do Gray". É uma publicação que vem sendo reeditada (e melhorada) há quase um século e meio. Este site traz a edição completa de 1918, com imagens excepcionais e texto integral. Em inglês.
2 - Anatomy Browser - Um genial atlas de anatomia interativo, no qual você pode escolher um ponto de vista de uma parte do corpo e decidir o grau de opacidade de um órgão, vaso, músculo ou pele. Com isso, pode fazer verdadeiras dissecações online. Em inglês.
3 - Instituto de Plastinação - Site do instituto dirigido por Gunther Hagens, entrevistado neste número da Diálogo Médico. Se quiser doar seu corpo, siga as instruções. Em inglês e em alemão.
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