Meio Ambiente/Ecologia - Pantanal e sua fauna
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Meio Ambiente/Ecologia

Pantanal e sua fauna

06/06/2003

Com os olhos bem abertos
Você espera encontrá-los mas, ou eles não aparecem, ou surgem um instante e fogem. Haja paciência para vê-los

 

O Pantanal, sem sombra de dúvida, é o melhor local no Brasil para observar seres vivendo em liberdade. Para o grupo das aves, o Pantanal é imbatível. Em um único dia, pode-se observar mais de 120 espécies diferentes, das 650 possíveis. Mesmo os mamíferos, bem mais cautelosos, acabam se deixando ver nos campos abertos. Mas nem tudo é possível o tempo todo: existem animais difíceis de ser vistos porque têm hábitos noturnos, como os felinos e os cachorros selvagens. Outros gostam de locais de difícil acesso, como o urubu-rei. E existem aqueles, como o urutau, que são tidos como raros mas sem uma explicação completa. É raro devido a sua camuflagem? Ou porque existem poucos deles? Como prova dessa raridade, nos meus 25 anos de andanças pelas matas, encontrei-o três vezes. Existem também aqueles momentos mágicos, quando se observa um animal numa situação rara. Por exemplo, quando está caçando ou mesmo repousando tranqüilo, sem se dar conta do observador que, com uma luz especial, registra esse momento para sempre.

Cachorro-vinagre

O cachorro-vinagre é um dos poucos animais genuinamente raros da nossa fauna. Também não se sabe ao certo o motivo exato de sua raridade. Os encontros relatados aconteceram de dia e foram sempre rápidos e inesperados. Vivem em pequenas matilhas de até seis animais e caçam em grupo. Fazem barulho quando estão juntos e por isso podem ser pressentidos. Quem já viu um desses pode se considerar um aventureiro de boa estrela.

Jacaré-do-pantanal

No Pantanal, o jacaré é um personagem sempre presente. Não é raro de ser visto, mas é raro que se deixe observar ou permita uma aproximação como gostaríamos. Passa o dia fora d'água, esquentando-se ao sol. Bem à tardinha, retorna para onde se sente melhor e nada com preguiça, mantendo apenas parte da cabeça e a cauda fora d'água que, se está calma, espelha sua imagem, e a criatura se transforma em qualquer coisa, menos jacaré. Esse momento é fugaz. Em breve, quando a escuridão esconder sua presença, os peixes sentirão a força de suas mandíbulas e o poder de seus dentes.

 

Urubu-rei

Lá de cima, a três mil metros, o urubu-rei é capaz de detectar uma carcaça no solo, em uma incrível combinação de visão e olfato. Nas horas de descanso, prefere penhascos. No Pantanal, a Serra da Bodoquena é um dos melhores locais para achá-lo. É outra dessas aves raras de ver, mas que, se estivermos no local e hora certos, pode ser bem comum. Uma ocasião, num cânion do rio São Francisco, na Bahia, vi nove juntos.

Iguana ou sinimbu

Sua cara de mau é só uma defesa, pois ele não é nada perigoso. Alimenta-se de plantas e de pequenas criaturas que encontra na vegetação: insetos, moluscos, anfíbios e até ovos e filhotes de aves. Como quase todo réptil, vive em dois compassos: ou está imóvel, vidrado, como se já tivesse sido empalhado, ou corre em disparada por cima e por sobre qualquer coisa, estabanadamente. É mais fácil de ser encontrado ao longo de rios, onde usa as praias para fazer seus ninhos. O sinimbu da foto (veja na edição impressa da Diálogo Médico) estava a menos de um metro da câmera e não se moveu por nada. Podia ter sido apanhado com a mão.

Urutau

A camuflagem é um dos artifícios desenvolvidos pela natureza para proteger animais e plantas. Parecer-se com o lugar onde se vive é uma grande vantagem para passar despercebido. Mas isso só não
basta: é preciso saber comportar-se adequadamente. O urutau é um grande mestre nessa arte: ele não só tem a cor e a aparência do tronco onde pousa, mas também se comporta como um tronco. Seus movimentos são muito sutis e controla o ambiente à sua volta por uma fenda na pálpebra que permite avaliar o risco que corre. Voa somente à noite, abrindo sua bocarra e engolindo todos os insetos que encontra pelo caminho.

Jaguatirica

Os felinos brasileiros são todos de hábitos noturnos. Isso dificulta muito sua observação. Pior que isso é o fato de serem pequenos: qualquer moita de capim os esconde. A última coisa que querem é ficar por perto do homem. Mesmo a onça-pintada evita o ser humano. A jaguatirica é pouco maior que um gato doméstico, mas é muito ágil. Caça no chão e nas árvores. Os olhos grandes e a audição apurada a conduzem pela mata.

Caranguejeira

Durante anos seguidos acompanhei uma caranguejeira que morava no oco de uma figueira. De dia, ela desaparece. Mas é só cair a luminosidade, mesmo antes da chegada da noite, que ela vem fazer sentinela em frente à sua toca. Pobre daquele ao seu alcance. Vupt… é morte instantânea. Mas é claro que somente pequenos seres, como insetos e moluscos podem se sentir ameaçados.

 
 
Haroldo Palo Jr., 49, formou-se em engenharia eletrônica e computação na USP-São Carlos. Foi professor de matemática durante cinco anos. Depois de conhecer o Pantanal, passou a dedicar-se à fotografia/cinematografia de natureza. Já trabalhou do Alasca ao Chile e mais ao sul até a Antártida.
 
 

Links comentados

1. World Conference on Preservation and Sustainable Development in the Pantanal (WCPSDP): Organização não-governamental norte-americana que congrega ambientalistas, universidades e institutos de pesquisa, e divulga estudos sobre desenvolvimento sustentável nessa região. Não só o Pantanal brasileiro, mas também o paraguaio e o boliviano. Em inglês.

2. Ecopan: Site de agência de turismo especializada em Pantanal, que promove expedições voltadas para quem gosta de turismo-aventura.

3. Safáris fotográficos:
http://www.techimage.com.br/pantanal.htm
http://www.portaldopantanal.com.br/travel/travel.htm
http://www.caiman.com.br/portugues/02-aventura/01-descricao/safari.html
Para quem ama natureza e fotografia e quer praticar acompanhado de gente que entende do assunto. Em português.

Diálogo Médico


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