Obesidade:Adulto/Infantil/Bariátrica - Risco de obesidade é maior para pessoas sem escolaridade
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Obesidade:Adulto/Infantil/Bariátrica

Risco de obesidade é maior para pessoas sem escolaridade

17/11/2003

 

por Sarita Coelho

A tendência à obesidade segundo os níveis de escolaridade da população brasileira sofreu uma mudança substancial no último quarto do século 20. Enquanto no primeiro período (1975-1989), o risco de obesidade foi crescente em todos os níveis de escolaridade, sendo maior para homens e mulheres mais instruídos, no segundo período (1989-1997), o aumento da obesidade foi máximo para indivíduos sem escolaridade, registrando-se estabilidade ou mesmo diminuição da enfermidade nas mulheres de média ou alta escolaridade. É o que mostra um estudo dos pesquisadores Carlos Augusto Monteiro, Wolney Lisboa Conde e Inês Rugani Ribeiro de Castro, da Universidade de São Paulo (USP), publicado na última edição da revista Cadernos de Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Enspsa).

______________________________________Guto Mesquita/Fiocruz

Os pesquisadores tomaram como base dados referentes às regiões Nordeste e Sudeste do país - onde vivem mais de dois terços da população brasileira - coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em três períodos: de agosto de 1974 a agosto de 1975, de junho a setembro de 1989 e de março de 1996 a março de 1997.

Nos inquéritos havia dados sobre o peso, a altura, a idade e os níveis de escolaridade dos indivíduos. A presença de obesidade foi determinada com base no índice de massa corporal (IMC = peso em quilogramas dividido pelo quadrado da altura em metros). Aqueles cujo IMC foi superior a 30kg/m2 foram classificados como obesos. A escolaridade do indivíduo foi considerada segundo cinco categorias constituídas conforme o número de anos completos de escolaridade: 0, 1-4, 5-8, 9-11 e 12.

A equipe combinou os dados dos três inquéritos e obteve dois bancos: um reunindo as amostras dos inquéritos realizados em 1975 e 1989 e outro com as amostras de 1989 e 1997. A partir desses arquivos, foram calculadas, para cada estrato de escolaridade, a mudanças na prevalência da obesidade entre 1975 e 1989 e entre 1989 e 1997.

Quanto ao sexo masculino, a prevalência da obesidade teve um aumento de 100% no primeiro período e de 50% no segundo. Já no sexo feminino, a doença apresentou um aumento relativo a 80% nos primeiros 15 anos, mas quase não se alterou no segundo período (aumento de 5%).

No caso da escolaridade, mulheres com até quatro anos de estudos completos tiveram a obesidade maior do que as demais. Houve, ainda, um declínio de cerca de 25% na prevalência da obesidade entre as mulheres que freqüentaram curso superior. Também entre os homens, a tendência à obesidade, que foi comum a todos os níveis, indica uma concentração nos estratos sociais mais desfavorecidos quando projetada para o futuro.

Outubro/2003
FIOCRUZ


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