ATLANTA (Reuters Health) - Certos tipos de bactérias intestinais podem estar ligadas ao desenvolvimento e avanço da artrite reumatóide, segundo resultados de um novo estudo.
Na artrite reumatóide, o sistema imunológico ataca os tecidos das articulações, causando problemas em muitas partes do corpo, incluindo ossos, cartilagem e órgãos internos. A doença pode provocar problemas sérios, principalmente entre as pessoas mais velhas, e suas causas exatas ainda não são conhecidas.
Agora, a atenção tem sido centrada no papel que as bactérias que vivem no intestino podem ter na artrite reumatóide. Os pesquisadores sugerem que diferentes tipos de bactérias intestinais e seu produto final podem ser responsáveis por estimular o desenvolvimento da doença em outras regiões do corpo.
Cientistas da Universidade Turku, na Finlândia, recentemente realizaram um estudo comparando amostras de fezes de 25 pacientes com artrite reumatóide e 23 de um grupo de "controle" sem a doença, que sofriam de uma dor não-inflamatória.
O médico Paavo Toivanen, um microbiologista que participou da pesquisa, apresentou suas descobertas nesta semana durante a Conferência Internacional de Doenças Infecciosas Emergentes. "Os pacientes com artrite reumatóide estavam no estágio inicial da enfermidade, não usavam nenhum imunossupressor, e eram excluídos do estudo se tivessem usado algum antibiótico nos últimos dois meses", afirmou ele à Reuters Health.
Por meio de testes químicos baseados em um técnica desenvolvida no laboratório, os pesquisadores conseguiram identificar uma variedade de famílias de bactérias anaeróbicas, que representam entre um terço e a metade de todas as bactérias encontradas no intestino. "Anaeróbico" significa que as bactérias não precisam de oxigênio para sobreviver.
Os pesquisadores descobriram que as pessoas com artrite reumatóide tinham notadamente menos bactérias das famílias bacteróides, prevotella e porphyromonas no intestino se comparadas às do grupo de controle (4,7 por cento contra 9,5 por cento respectivamente). Esse resultado foi confirmado usando um dos testes específicos para bactéria.
Toivanen observou que esses tipos de bactérias podem ser importantes para manter uma barreira na parede intestinal. "Essas bactérias podem ser, em princípio, necessárias para fortalecer o epitélio intestinal", ou revesti-lo, concluiu Toivanen.
Pacientes com uma menor quantidade dessas bactérias nos intestinos podem ter uma barreira intestinal mais fraca, sugeriram Toivanen e sua equipe, o que poderia de alguma forma torná-los predispostos a desenvolver a artrite reumatóide.