Genética/Clonagem/Terapia gênica - Orgânicos, vegetarianos e a convivência com os transgênicos
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Genética/Clonagem/Terapia gênica

Orgânicos, vegetarianos e a convivência com os transgênicos

24/11/2003

A convivência com os transgênicos mudará para sempre os parâmetros e as características genéticas das plantas. As conseqüências ainda não são previsíveis.

Alexandre Harkaly
Diretor do Instituto Biodinâmico
alexandre@ibd.com.br


A era transgênica traz realmente novas situações que demandam reflexão para aqueles que se preocupam com a qualidade de vida. As pessoas não dispõem de informações confiáveis – tecnicamente sabe-se pouco e a imprensa poderia ajudar mais, tornando o debate menos superficial e mais proveitoso.

A convivência entre os orgânicos e transgênicos será favorável apenas aos transgênicos – essa convivência, na realidade, ferirá de morte as plantações orgânicas. Devido à alta dispersão de pólen das plantas, os genes viajam milhares de quilômetros. No Canadá, por exemplo, já não existe colza orgânica, que não tenha sido contaminada pelos genes transgênicos. O milho transgênico Bt, nos EUA, já contamina as plantações de milho mexicanas, alterando os seus códigos genéticos. O México, por sua vez, é um dos centros de dispersão de variedades originais de milho nas Américas. Ou seja: os transgênicos modificam a base genética da própria fonte da biodiversidade de milho. É mais do que possível supor que em alguns anos muitas variedades de milho deixem simplesmente de existir.

A tendência mundial decorrente da ampla disseminação da era dos híbridos teve um efeito devastador na manutenção da biodiversidade genética; hoje verifica-se uma perda considerável nessa biodiversidade, e o resultado é uma diminuição do panorama genético das espécies vegetais, que se torna a cada dia mais padronizado, regular e monótono. Esse panorama tende a agravar-se consideravelmente com o advento da era transgênica.

A diversidade genética vegetal em todo o globo será drasticamente reduzida, num efeito funil, levando ao domínio completo de algumas poucas variedades transgênicas a serem cultivadas em todo o planeta. Com isso, aqueles materiais genéticos disponíveis em forma de uso contínuo nos milhares de campos de pequenos e grandes produtores acabam por desaparecer, numa perda irrecuperável: das 40.000 variedades de arroz existentes na Índia há 50 anos atrás, somente 10 variedades estão presentes em 80% do mercado. Com os transgênicos, certamente esse número será ainda mais reduzido.

Os vegetarianos têm mais um motivo para se manterem alerta. A introdução de genes animais (peixes, escorpiões, aranhas, bactérias e outros seres) nas plantas levará a uma "animalização" das plantas. Comendo uma prato à base de soja, você poderá também estar comendo "partes genéticas" de algum organismo animal.

O fato é simples: o transplante de material genético é uma caixa preta. Quando pedaços de cromossomos do organismo A são transferidos ao organismo B, levam consigo uma série de outras informações ainda não dominadas e assimiladas de forma completa pela ciência. Esses pedaços de cromossomos levam tanto a informação desejada, quanto uma série de informações (dezenas, centenas, milhares talvez) não pesquisadas por completo. Assim que todas essas informações forem incorporadas ao cromossomo da planta que se quer manipular, essa “novidade” se tornará ativa, gerando proteínas, enzimas e substâncias de característica igual ao organismo de origem. Isso acontece com todas as características, e não só com aquela característica determinada desejada – a resistência a alguma praga, doença ou pesticida, por exemplo. Outras informações, desconhecidas dos pesquisadores, também são incorporadas à planta, sem que se saibam as conseqüências dessa alteração. Os vegetarianos estarão consumindo cada vez mais "pedaços animais" nas plantas transgênicas.

O problema "legal" dos transgênicos é sério: o direito de se produzir plantas de linhagens e genética pura está, de uma vez por todas, sendo usurpada, violentada – e unicamente por questões de mercado. Os orgânicos que quiserem cultivar variedades não contaminadas estarão sendo empurrados aos confins do planeta. Com o agravante de que, como o planeta é redondo e há movimentação de pólen pelo ar, a co-existência dos dois não é possível. Pela lei do direito adquirido, como ficam os milhões de produtores e consumidores que se acham usurpados no direito de consumir plantas de genética pura, original, intocada, como a natureza a produziu?

Ações na justiça, indenizatórias, ou de proibição de cultivo transgênico próximo ao orgânico, não são suficientes. De qualquer forma, a ação da justiça, caso positiva, só chegará atrasada, após o plantio dos transgênicos. A única opção que resta aos consumidores conscientes é a união e o protesto veemente frente às autoridades, de tal maneira que se descarte, de uma vez por todas, o plantio transgênico no país.

Além dos aspectos acima citados, sabemos que a agricultura orgânica tem um enorme potencial para a resolução de problemas ligados à agricultura. Basta estímulo e fomento à produção e pesquisa. É dessa forma que poderemos encontrar novos caminhos, que preservem o direito de todos à vida.

Mais informações sobre cultivos e alimentos transgênicos através do site www.ibd.com.br.

 

Planeta orgânico


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