NOVA YORK (Reuters Health) - Um velho ditado diz que dormir e acordar cedo torna o homem saudável, rico e esperto. Novos estudos, no entanto, sugerem que o provérbio tem seus defeitos.
De acordo com pesquisadores, é a riqueza que parece influenciar a saúde por permitir que as pessoas com mais dinheiro descansem mais facilmente. Os cientistas descobriram que os mais abastados tendem a dormir melhor que aqueles em situação menos favorável e que a qualidade do sono se traduz em um melhor bem-estar físico e mental.
Diversos estudos têm associado rendas mais elevadas a menos doenças crônicas, vidas mais longas e melhor saúde mental. A razão para essa ligação, porém, continuava obscura. A nova pesquisa, publicada na edição de março-abril da revista Psychosomatic Medicine, pode ter identificado o elo que faltava entre a riqueza e a saúde.
"Essas descobertas indicam que o sono pode ter um papel significativo na tradução da condição socioeconômica em saúde. Os resultados indicam a importância de futuras pesquisas analisarem como a situação socioeconômica pode afetar o sono das pessoas, e como o sono pode, por sua vez, influenciar a qualidade e até a duração de suas vidas", afirmam Philip J. Moore, da Universidade George Washington, em Washington, e seus colaboradores.
As razões para explicar um sono de pior qualidade entre as pessoas de baixa renda podem ser simples como a falta de um local calmo e confortável para dormir. Esse sono de qualidade inferior também pode ser causado por fatores estressantes como más condições de trabalho, dívidas ou falta de acesso a serviços, explicou Morre em entrevista à Reuters Health.
Para avaliar se a qualidade e a quantidade de sono estavam relacionadas com a renda e a saúde, os cientistas entrevistaram mais de 1.000 adultos, com idades que variavam de 18 a 89 anos. Os participantes do estudo estimaram o número de horas que dormiam por noite no último mês e classificaram a qualidade do sono de acordo com uma escala.
Os voluntários também determinaram a saúde mental pela indicação da frequência com que, no mês anterior, haviam se sentido nervosos, em desespero, cansados, desvalorizados e tristes.
Os adultos com mais escolaridade tenderam a apresentar rendas mais elevadas, revelou o estudo. Além disso, as pessoas mais ricas relataram ter uma saúde física melhor e menos tensões que aquelas com renda mais baixa. As rendas mais altas também foram associadas a uma melhor qualidade de sono, o que se descobriu ter influência sobre a saúde física de uma pessoa.
A pesquisa mostrou também que negros e hispânicos tinham menos escolaridade, rendas mais baixas, estavam em piores condições de saúde física e relataram menos horas de sono que os brancos.
As descobertas "sugerem que o sono pode ter o papel de traduzir as condições socioeconômicas em saúde, apesar de a questão crucial ser quão bem, e não quanto tempo, as pessoas conseguem dormir", afirma a equipe de Moore.
Fonte: www.reutershealth.com