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Meio Ambiente/Ecologia

MOGNO, O novo PAU-BRASIL

06/06/2003

MOGNO, O NOVO PAU-BRASIL

Considerado o país de maior biodiversidade do mundo, o Brasil tem sua riqueza natural constantemente ameaçada. Muitas espécies vegetais brasileiras - inclusive a que deu nome ao próprio país, o Pau-Brasil - já estão comercialmente extintas em decorrência da exploração extremamente intensa e descontrolada verificada nas últimas décadas.

O mogno brasileiro (Swietenia macrophylla, King) é o próximo da lista. Por seu alto valor comercial e grande aceitação no mercado internacional, o mogno brasileiro já desapareceu de grandes áreas da Amazônia brasileira e resiste apenas em regiões de difícil acesso e em áreas protegidas - que são sistematicamente invadidas por madeireiros. Nosso mogno repete a sina dos tipos de mogno encontrados na América Central (Swietenia humilis) e no Caribe (Swietenia mahogani), explorados até a exaustão a partir da chegada dos primeiros colonizadores da América - que descobriram as qualidades dessa madeira e a transformaram num objeto de consumo de luxo para as classes altas da Europa e, posteriormente, dos Estados Unidos.



O OURO VERDE


Embora seja muito difícil mensurar a real intensidade da exploração do mogno devido à grande ilegalidade no setor madeireiro, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) estima que 4 milhões de metros cúbicos de mogno serrado foram exportados pelo Brasil entre 1971 e 2001 - a imensa maioria (75%) para os Estados Unidos e Inglaterra. Outros 1,7 milhão teriam sido vendidos no mercado interno. Num cálculo rápido, isso significa cerca de 10 milhões de metros cúbicos de madeira em tora, ou mais de 2 milhões de árvores de mogno abatidas pela sanha das moto-serras.

As conseqüências diretas da superexploração ultrapassam a ameaça ao próprio mogno para afetar grandes áreas da mais bela e antiga floresta do planeta. Como o mogno nasce de forma muito esparsa na Amazônia, madeireiros em busca do chamado "ouro verde" abrem estradas de centenas de quilômetros na mata, sem qualquer planejamento ou estudo de topografia ou hidrologia. No início da década de 90, mais de 3 mil quilômetros de estradas ilegais já haviam sido abertas no sul do Pará, hoje uma das áreas mais devastadas e violentas da Amazônia.

Além do impacto que causam à floresta, essas estradas funcionam como veias abertas à destruição: abandonadas pelo madeireiro após a extração do mogno e de outras espécies de valor, elas são utilizadas por fazendeiros e colonos para a ocupação de novas áreas para gado ou plantio. À medida que o mogno desaparece nas áreas exploradas pelos madeireiros, eles passam a invadir áreas protegidas. Conflitos, roubo, mortes, corrupção e sonegação são comuns na história da exploração do mogno.

Há uma clara explicação para isso: o metro cúbico de mogno serrado vale hoje, em média, entre US$ 1.200 e US$ 1.400 no mercado internacional mas custa apenas R$ 25 na floresta. Uma árvore de mogno, com cerca de 5 metros cúbicos e mais de 200 anos de idade, é comprada ilegalmente por madeireiros em terras indígenas do sul do Pará a R$ 125 - quando não é roubada. Após a industrialização, a árvore, reduzida a 3 metros cúbicos de madeira serrada, é vendida por valores que chegam a mais de R$ 10 mil. Esse volume de madeira permite a produção de 12 a 15 mesas e cadeiras de mogno. Uma única dessas sofisticadas mesas é vendida na rede de lojas Harrods, de Londres, por US$ 8.500. A mesma árvore de R$ 125 na Amazônia virou US$ 128.250 em mesas britânicas.

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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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