Gastroenterologia/Proctologia/Fígado - Bacteremia e dilatação esofágica
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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

Bacteremia e dilatação esofágica

12/12/2003

 

Douglas B. Nelson, Steven J. Sanderson, Miguel M. Azar
Mineapolis, MinnesotaGastrintestinal Endoscopy; 48(6), 1998

Os autores deste trabalho acompanharam 86 pacientes que foram submetidos a 100 dilatações esofágicas utilizando-se de dilatadores desinfectados conforme padrões internacionais. Dessas, 90 foram realizadas com o dilatador de Savary, 8 com Maloney e 2 com balões. O objetivo foi estudar o surgimento de bacteremia no tempo 0, 5 minutos e 30 minutos após a dilatação.
Foram excluídos pacientes que a priori tinham indicações de antibioticoterapia profilática _ segundo recomendações da Associação Americana de Endoscapia Digestiva (ASGE) e da Associação Americana de Cardiologia (AHA) _ e pacientes que usaram algum antibiótico 48 horas antes dos procedimentos.
Das 100 dilatações, 83 foram em estenoses benignas e 17 em estenoses malignas.
Cinqüenta e quatro dilatações foram simples, 23, com 2 passadas e 23, com 3 passadas na mesma sessão.
Após a dilatação, 21/100 tinham cultura positiva em 5 minutos e 1/100 após 30 minutos. Um único agente foi encontrado em 77,3% das culturas positivas, e o Streptococcus viridians o responsável em 50% das vezes. Nenhum paciente apresentou febre ou calafrios durante a observação. Os pacientes não foram tratados com antibióticos e nenhuma complicação advinda dos procedimentos foi observada em 3 meses de acompanhamento.

A separação dos pacientes em portadores de patologia maligna e portadores de patologia benigna demonstra uma diferença significativa em relação à bacteremia. Nos dilatados com lesões malignas, 9/17 (52,9%) tiveram culturas positivas em contraste com 13/83 (15,7%) dos com doenças benignas.
A passagem de mais de uma vez o dilatador na mesma sessão também resultou em diferença significativa quanto à presença de bacteremia: 34,8% nas passagens múltiplas contra 3,7% em dilatação única.Ao analisar-se separadamente apenas estenoses benignas, não houve diferença estatisticamente comprovada entre dilatações simples e dilatações múltiplas.
Outro aspecto interessante do trabalho é que em 84% das vezes as culturas recolhidas previamente dos dilatadores foram positivas. No entanto, isso não acarretou maior risco para o paciente e as bactérias cultivadas foram diversas das obtidas em culturas dos pacientes (com exceção de 1 caso).
Os autores concluem que a bacteremia, após dilatação, ocorre em 22% dos pacientes. O achado da bactéria responsável por endocardites bacterianas após dilatações, o Streptococcus viridians, foi de 11%. As dilatações em doenças malignas e/ou múltiplas passagens acarretam maior risco de bacteremia.

Ismael Maguilnik

Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS

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