Psiquiatria e Psicologia - Psicofármacos em patologias
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Psiquiatria e Psicologia

Psicofármacos em patologias

12/12/2003

PSICOFÁRMACOS EM PACIENTES COM DOENÇAS OU PROBLEMAS FÍSICOS

ANTIDEPRESSIVOS:
  • Tricíclicos (ADT) e Tetracíclicos: imipramina (Tofranil®), amitriptilina (Tryptanol®), clomipramina (Anafranil®), nortriptilina (Pamelor®), maproptilina (Ludiomil®), mianserina (Tolvon®)
  • Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO): tranilcipromina (Parnate®), moclobemida (Aurorix®)
  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS): fluoxetina (Prozac®, Eufor®, Daforin®), paroxetina (Aropax®), sertralina (Zoloft®), citalopram (Cipramil®)
  • Nova geração: venlafaxina (Efexor®), nefazodona (Serzone®), mirtazapina (Remeron®), tianeptina (Stablon ®)

ANTIPSICÓTICOS (NEUROLÉPTICOS):

drogas usadas principalmente no tratamento da esquizofrenia e de psicoses orgânicas. Existem vários grupos químicos:

Típicos:

  • Fenotiazinas: clorpromazina (Amplictil®), tioridazina (Melleril®) - baixa potência;
  • Butirofenonas: haloperidol (Haldol®) - alta potência.

Atípicos

  • clozapina (Leponex®) - tem baixa tendência a causar efeitos extra-piramidais e endócrinos
  • risperidona (Risperdal®)

A ação destas drogas deve-se principalmente ao antagonismo nos receptores da dopamina (D2), embora provoquem o bloqueio de outros receptores como: acetilcolina, histamina (H1), a - adrenérgico e 5-HT.

Bloqueio da dopamina (ocorre principalmente nos antipsicóticos de alta potência):

  • distúrbios extra-piramidais:
  • discinesia tardia: a clozapina tem menor tendência a causar este quadro.
  • aumento da prolactina sérica

Bloqueio dos receptores muscarínicos (causado principalmente por fenotiazinas):

  • turvação da visão
  • aumento da pressão intra-ocular
  • xerostomia e xeroftalmia
  • constipação e retenção urinária

Bloqueio a -adrenérgico (menor hipotensão com o haloperidol e maior com as fenotiazinas):

  • hipotensão ortostática

Reações idiossincrásicas e de hipersensibilidade (principalmente causado pelas fenotiazinas):

  • Leucopenia e agranulocitose: este efeito é menor com drogas mais potentes. A clozapina tem alta tendência a causar agranulocitose.

BENZODIAZEPÍNICOS (BZD):

  • Meia-vida longa (T/2 = 30-100 horas): diazepam (Valium®, Dienpax®), clordiazepóxido (Psicosedin®), clorazepato (Tranxilene®), flurazepam (Dalmadorm®)
  • Meia-vida média a curta (T/2 < 30 horas): bromazepam (Lexotan®), clobazan (Urbanil®), alprazolam (Frontal®), lorazepam (Lorax®), flunitrazepam (Rohypnol®), nitrazepan (Nitrazepol®), midazolan (Dormonid®), clonazepam (Rivotril®)

ESTABILIZADORES DO HUMOR:

  • carbonato de lítio (Carbolitium®, Carbolim®)
  • carbamazepina (Tegretol®)
  • valproato de sódio (Depakene®)
  1. ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE)
  2. AIDS
  3. ALCOOLISMO (SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA)
  4. ALTERAÇÃO NA CONDUÇÃO CARDÍACA / ARRITMIAS
  5. CIRROSE
  6. CONSTIPAÇÃO INTESTINAL
  7. DELIRIUM
  8. DEMÊNCIA
  9. DIABETES MELLITUS (DM)
  10. DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)
  11. DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL - RETROCOLITE ULCERATIVA INDETERMINADA (RCUI) / DOENÇA DE CROHN
  12. DOR
  13. EPILEPSIA
  14. GLAUCOMA
  15. GLOMERULOPATIAS
  16. HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS)
  17. HIPERTIREOIDISMO
  18. HIPERTROFIA PROSTÁTICA
  19. HIPOTIREOIDISMO
  20. INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO
  21. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
  22. INSUFICIÊNCIA RENAL
  23. LEUCEMIA
  24. LEUCOCITOSE
  25. LINFOMAS
  26. LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES)
  27. MENINGITE
  28. NEOPLASIAS
  29. NEURALGIA DO TRIGÊMIO
  30. NEUROPATIA PERIFÉRICA
  31. OBESIDADE
  32. PARKINSON
  33. PSORÍASE
  34. SÍNDROME NEUROLÉPTICA MALIGNA
  35. TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO
  36. TROMBOCITOPENIA
  37. TUMOR DE HIPÓFISE
  38. TUMORES INTRACRANIANOS
  39. ÚLCERA PÉPTICA

 


ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE): 30% dos pacientes com AVE poderão sofrer de depressão (sobretudo até 2 anos depois do AVE). Maioria dos AVE ocorrem em idosos que toleram pouco os efeitos anticolinérgicos dos antidepressivos tricíclicos (ADT) que, portanto, devem ser cuidadosamente administrados. Dos ADT, preferir o uso de nortriptilina. Bupropiona, maprotilina e clomipramina devem ser evitados pois predispõem a convulsões após AVE. Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO): cuidar com os seus efeitos sobre a pressão arterial (PA). Preferir o uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), iniciando o tratamento com doses baixas, elevando gradualmente. Preferir drogas de menor meia-vida e de pouca interação medicamentosa (p.ex., citalopram e sertralina ao invés de fluoxetina).
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AIDS: No sistema nervoso central (SNC), o HIV produz síndromes cerebrais orgânicas, incluindo sintomas neuropsiquiátricos (¯ da memória, apatia, retardo psicomotor, cefaléia, déficits motores, convulsões, ¯ do nível de consciência) e síndromes psiquiátricas (mania, depressão, ansiedade, psicose, sintomas obsessivo-compulsivos, ideação e tentativa de suicídio). Em casos de depressão, optar por antidepressivos tricíclicos (ADT) com poucos efeitos anticolinérgicos (nortriptilina) ou inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) que tenham pouca interferência sobre o sistema microssomial hepático P-450 (sertralina e citalopram). Os Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO) são contra-indicados devido às restrições alimentares que se impõem com o seu uso. Metilfenidato pode ser útil para o tratamento da depressão e dos sintomas cognitivos (demenciais). Em pacientes debilitados, com pouca energia e com depressão, a dextramfetamina revelou-se útil. Em pacientes com agitação podem ser usados antipsicóticos em baixas doses. Evitar o uso do lítio, devido ao risco de toxicidade e perigo de desidratação (diarréias crônicas, sudorese excessiva, etc.). Pode-se administrar carbamazepina e ácido valpróico nos pacientes com impulsividade e agressividade intensas, contudo, controlar níveis séricos e efeitos de discrasia sangüínea. Quanto aos benzodiazepínicos (BZD), que podem ser usados como ansiolíticos e hipnóticos, preferir os de curta ação (menor interferência nas funções cognitivas - lorazepam), porém, com cautela, pois muitos pacientes com AIDS possuem a função respiratória bastante comprometida. Neste caso, como ansiolítico, a buspirona é uma boa opção (não provoca sedação, tolerância ou síndrome de abstinência), desde que a substituição dos BZD para a buspirona seja feita de forma gradual, uma vez que o mecanismo de ação da buspirona é diferente dos BZD e, portanto, a buspirona não previne os efeitos da abstinência aos BZD.
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ALCOOLISMO (SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA): Recomenda-se uso de drogas psicotrópicas para sedação e controlar convulsões. Os benzodiazepínicos (BZD) são úteis, pois elevam o limiar convulsivante, além de causar menos depressão respiratória que outros hipnótico-sedativos; auxiliam atenuando sintomas como a taquicardia, tremores, hipertensão e ansiedade. BZD de longa ação (clordiazepóxido, diazepam) ® risco de acumulação da droga em idosos e cirróticos. Nestes casos, preferir o uso de BZD de curta ação (lorazepam). Devem ser evitados os antipsicóticos de baixa potência (clorpromazina), pois diminuem o limiar convulsivante. Em casos de sintomas psicóticos, quando necessário, administrar haloperidol em baixas doses, pois seu efeito é potencializado pelo uso concomitante de BZD.
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ALTERAÇÃO NA CONDUÇÃO CARDÍACA / ARRITMIAS: Os antipsicóticos bloqueiam canais de cálcio (principalmente tioridazina e pimozida), precipitando arritmias ventriculares. Doses habituais de tioridazina podem provocar alterações no ECG, as quais podem ser corrigidas com a administração de potássio. Antidepressivos tricíclicos (ADT) são cardiotóxicos, afetando a condução cardíaca por efeito inotrópico negativo. Assim, são contra-indicados em pacientes com bloqueio de ramo esquerdo, bloqueio bifascicular ou prolongamento do intervalo QT. Intoxicação por ADT pode desencadear uma arritmia potencialmente fatal (por ação anticolinérgica). A maprotilina e a nortriptilina são menos cardiotóxicas que os demais ADT. A melhor alternativa para esses pacientes são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) que parecem ser fármacos seguros do ponto de vista cardiológico, porém, observando a interação com fármacos usados na doença cardíaca que compartilhem o sistema microssomial P-450 (sobretudo no uso da paroxetina e da fluoxetina que são inibidores do sistema P-450). O lítio é contra-indicado em pacientes com disfunção do nodo sino-atrial (SA). A carbamazepina interfere na condução cardíaca: bradicardia sinusal, bloqueio átrio-ventricular (AV) em diferentes graus. Cardiopatia moderada ou severa contra-indica o seu uso. Arritmias ventriculares podem ocorrer em pacientes com uso associado de lítio + antipsicótico. Lítio + verapamil ® bradicardia severa.
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CIRROSE: A maioria das drogas psiquiátrias são metabolizadas e destruídas no fígado, assim, na vigência da cirrose hepática, entrarão na circulação em níveis muito mais elevados. Benzodiazepínicos (BZD) de longa ação (diazepam, clordiazepóxido) ® altos níveis plasmáticos na cirrose. Os BZD de curta ação (lorazepam) são metabolizados normalmente, tendo-se a preferência do seu uso neste caso. Antidepressivos tricíclicos (ADT) ® + sedação, confusão e efeitos anticolinérgicos. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) inibidores do sistema P-450, especialmente a paroxetina e a fluoxetina, não são recomendados em cirróticos pois, neste caso, aumentam o tempo de metabolização das drogas que usam a mesma via enzimática. A carbamazepina, por sua toxicidade hepática deve ser evitada.
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CONSTIPAÇÃO INTESTINAL: Drogas anticolinérgicas (antidepressivos tricíclicos - ADT, antipsicóticos de baixa potência, antiparkinsonianos) desencadeiam ou agravam a constipação. Preferir uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e antipsicóticos de alta potência (haloperidol).
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DELIRIUM: Transtorno mental orgânico que ocorre em 10-15% dos hospitalizados (idosos, grandes queimados ou pacientes submetidos a grandes cirurgias). Tratamento de escolha ® antipsicótico de alta potência (haloperidol): < efeito anticolinérgico (sedação) e de bloqueio a -1-adrenérgico, embora possam causar acatisia e parkinsonismo. Benzodiazepínicos (BZD): sedação piora a desorientação do paciente, agrava problemas de memória e propicia quedas (idosos). A dose administrada deve ser 1/3 daquela para adultos jovens. Voltar

DEMÊNCIA: Benzodiazepínicos (BZD) devem ser usados com cautela e por poucos dias devido ao risco de aumentar a confusão e a perda da memória, preferir os de meia-vida curta ou intermediária (oxazepam, lorazepam). Para ansiedade pode-se usar a buspirona que apresenta menos efeitos colaterais. Os antipsicóticos de alta potência (haloperidol, flufenazina) podem ser usados para os sintomas psicóticos ou para agitação psicomotora, devendo-se evitar os antipsicóticos de baixa potência (clorpromazina) devido aos riscos de efeitos anticolinérgicos, hipotensores e sedativos que agravam a confusão mental do paciente com demência. A depressão não é rara nos pacientes com demência e responde bem aos antidepressivos, devendo dar -se preferência aos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e a nortriptilina (antidepressivo tricíclico - ADT - de baixa toxicidade anticolinérgica, com mínimos efeitos hipotensores ou sedativos) e evitando-se a clomipramina e a amitriptilina (ADTs). Anticonvulsivantes podem ser úteis para sintomas maníacos com predomínio da impulsividade. O lítio pode ser utilizado para sintomas maníacos e de impulsividade, porém, deve-se atentar para: controle por dosagem sérica, monitorizar função renal, > risco de intoxicação e neurotoxicidade se associado a antipsicótico de alta potência (haloperidol).
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DIABETES MELLITUS (DM): A depressão é freqüente entre pacientes com DM. Antidepressivos tricíclicos (ADT) e antipsicóticos promovem a hiper ou hipoglicemia. Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO): hipoglicemia e ganho de peso. Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS): drogas de escolha, embora a fluoxetina possa causar, muito raramente, reação hiperglicemiante aguda. Lítio e ácido valpróico: hiperglicemia.
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DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC): Qualquer droga que ¯ nível de consciência pode ¯ estímulo respiratório. Administrar drogas menos sedativas para depressão ® inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), amineptina, moclobemida. Ao usar benzodiazepínicos (BZD), preferir os de curta ação (lorazepam). Os fumantes (maioria dos pacientes) apresentam níveis séricos + baixos de imipramina, amitriptilina e nortriptilina (antidepressivos tricíclicos - ADT). A clorpromazina exige níveis 2x > em fumantes. Meia-vida da teofilina cai pela metade quando co-administrado com carbamazepina.
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DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL - RETROCOLITE ULCERATIVA INDETERMINADA (RCUI) / DOENÇA DE CROHN: Preferir antidepressivos de < efeito anticolinérgico e que menos interfiram no sistema microssomial hepático: sertralina e citalopram. Evitar antipsicóticos de efeito anticolinérgico, por exemplo, aqueles de baixa potência (clorpromazina). Lítio: pode exacerbar a diarréia.
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DOR: Amitriptilina, imipramina, nortriptilina podem ser usados sobretudo para cefaléias crônicas, fibrosites, artrites, artrite reumatóide (AR), sendo primeira escolha para neuropatias pós-herpéticas e diabéticas. A mais usada é a amitriptilina, cujo efeito sedativo é útil quando a dor provoca insônia. Os antidepressivos em geral, potencializam o efeito dos opiáceos e drogas anti-inflamatórias não esteroidais (DAINE). Antidepressivos tricíclicos (ADT) e inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) podem provocar cefaléia transitória que regride após 2 semanas de uso. Benzodiazepínicos (BZD): seus efeitos gabaérgicos podem exacerbar a dor. Antipsicóticos da classe das fenotiazinas (clorpromazina) possuem ação analgésica. Carbamazepina, ácido valpróico e fenitoína são úteis nas neuropatias. Lítio: pode ser usado para o tratamento de cefaléias crônicas e enxaquecas em salva. Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO): sobretudo a tranilcipromina pode causar dores musculares ou sensação de choque elétrico que aliviam com piridoxina. Pacientes em uso de IMAO com cefaléia ® descartar crise hipertensiva.
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EPILEPSIA: Benzodiazepínicos (BZD): ­ o limiar convulsivante, usados para o tratamento de alguns tipos de epilepsia (clonazepam, nitrazepam). Quando for necessário o uso de antipsicóticos, preferir o uso dos de alta potência (haloperidol, flufenazina) que ¯ o limiar convulsivante de forma menos intensa. Dos antidepressivos tricíclicos (ADT), evitar sobretudo a maprotilina pois ¯ o limiar convulsivante. No tratamento da depressão em pacientes epilépticos, preferir o uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS - fluoxetina, paroxetina, sertralina, citalopram) ou inibidores da monoamino-oxidase (IMAO - tranilcipromina. Bupropiona: ¯ o limiar convulsivante. Lítio: não é contra-indicado, porém, pacientes epilépticos podem ter convulsões quando o lítio estiver em doses tóxicas. A carbamazepina e ácido valpróico podem ser usados para certas formas de convulsões.
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GLAUCOMA: Medicamentos com ação anticolinérgica (antidepressivos tricíclicos - ADT, antipsicóticos de baixa potência, antiparkinsonianos e inibidores da monoamino-oxidase - IMAO) podem precipitar crise de glaucoma de ângulo fechado, portanto devem ser evitados. Preferir o uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS - fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram) e antipsicóticos de alta potência (haloperidol). Pacientes com glaucoma de ângulo aberto ® podem usar drogas com efeito anticolinérgico, desde que com acompanhamento oftalmológico.
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GLOMERULOPATIAS: Deve-se suspender drogas nefrotóxicas como o lítio e ajustar as doses das drogas com os níveis de excreção renal.
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HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS): Antidepressivos tricíclicos (ADT) interferem nos efeitos anti-hipertensivos da guanetidina, reserpina, clonidina e a -metil-dopa. A descontinuação do antidepressivo pode resultar em hipotensão severa. Deve-se controlar a pressão com diuréticos, bloqueadores dos canais de cálcio ou IECA (inibidores da enzima conversora de angiotensina). b -Bloqueadores tendem a causar quadros depressivos em pacientes suscetíveis. Inibidores da monoamino-oxidase (IMAO): podem precipitar crises hiperadrenérgicas quando ingeridos com alimentos ricos em tiramina ou medicamentos que contenham aminas simpaticomiméticas. Podem ser usados no caso de depressão com sintomas atípicos e na depressão resistente. Lítio: requer monitorização cuidadosa pelo risco de litemia tóxica pelo fato da dieta hipossódica e o uso de diuréticos. Antipsicóticos de baixa potência causam hipotensão postural principalmente em idosos, devendo ser iniciado em baixas doses.
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HIPERTIREOIDISMO: Estes pacientes podem se beneficiar dos efeitos antitireoidianos do lítio. O hipertireoidismo pode ocorrer na vigência do tratamento com lítio em pacientes com doença de Graves prévia. A exoftalmia pode ocorrer com o uso do lítio mesmo em pacientes com a função tireoidiana normal.
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HIPERTROFIA PROSTÁTICA: Drogas com ação anticolinérgica como os Antidepressivos tricíclicos (ADT), antipsicóticos de baixa potência, antiparkinsonianos, Inibidores da monoamina-oxidase (IMAO) podem levar a retenção urinária principalmente em idosos. Podem ser usados Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e antipsicóticos de alta potência.
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HIPOTIREOIDISMO: Pode ser secundário ao uso de lítio. Assim anteriormente ao uso da droga deve-se realizar provas de função tireoidiana (T3, T4 e TSH), repetindo-se de 6/6 meses. O tratamento do hipotireoidismo na vigência do uso de lítio pode ser feito com reposição hormonal e no caso de contra-indicação, a continuação do lítio pode-se substituir por outro estabilizador do humor (carbamazepina ou ácido valpróico).
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INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: Os Antidepressivos tricíclicos (ADT) são contra-indicados por seus efeitos cardiotóxicos. Após a cicatrização (6 semanas) podem ser utilizados em doses baixas e com monitorização da função cardíaca. Deve-se solicitar ECG a cada mudança na dose. A conduta com o lítio e a carbamazepina é semelhante aos ADT. Deve-se dar preferência aos Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e antipsicóticos de alta potência.
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INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: Os Antidepressivos tricíclicos (ADT) e a carbamazepina podem exacerbar o quadro. Os Inibidores da recaptação da serotonina (ISRS) podem ser usados desde que se observe sua interferência com a digoxina. O lítio deve ser usado com cautela diante de uma dieta hipossódica e uso de diuréticos que podem levar a litemia tóxica. Antipsicóticos de alta potência podem ser usados.
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INSUFICIÊNCIA RENAL: O lítio provoca alterações túbulo-intersticiais, embora seja muito raro.
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LEUCEMIA: Deve-se evitar o uso de drogas com fortes características anticolinérgicas e histaminérgicas. Caso seja necessário o uso de drogas psiquiátricas dar preferência aos antipsicóticos de alta potência e Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Inibidores da monoamina-oxidase (IMAO) são contra-indicados pelo seu difícil manejo e risco de efeitos colaterais graves. Cuidar com drogas que alteram a crase sangüínea como carbamazepina (agranulocitopenia), clozapina (pancitopenia) e lítio (leucocitose).
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LEUCOCITOSE: O lítio pode provocar leucocitose com aumento no número de neutrófilos sem alteração na função. Raramente ultrapassa 15.000 ccl/mm3 e não há desvio à esquerda. O uso concomitante de lítio e carbamazepina pode mascarar a leucopenia causada pela carbamazepina.
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LINFOMAS: Carbamazepina, ácido valpróico, clozapina devem ser evitados principalmente em pacientes que se submeteram a tratamento com quimioterapia ou radioterapia. O lítio deve ser evitado no caso de leucocitose.
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LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO (LES): As manifestações psiquiátricas variam desde quadros discretos até graves, predominando quadros psicóticos e depressivos. O uso de corticóide pode causar quadros maníacos, depressivos e psicóticos e o risco é maior em doses > de 40 mg/dia. No sentido de descobrir a etiologia das manifestações pode-se aumentar a dose do corticóide e se estas desaparecerem são do próprio LES e caso se mantenham deve-se pensar que são secundárias ao uso do corticóide.
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MENINGITE: Estes pacientes podem apresentar confusão, agitação, alucinações, perda da memória e alterações de conduta. A droga de escolha é o haloperidol, devendo-se evitar o uso de antipsicóticos de baixa potência. A insônia pode ser tratada com benzodiazepínicos em pequenas doses e de curta ação. O lítio é neurotóxico.
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NEOPLASIAS: Nestes pacientes as metástases cerebrais constituem as causas principais de disfunção neurológica. Os sintomas psiquiátricos principais são: depressão, mania, alteração de comportamento e psicose. Neoplasias intracranianas principalmente os tumores frontais e temporais também podem provocar estas manifestações. Os tumores não cerebrais que geralmente produzem sintomas psiquiátricos são: pâncreas, pulmão, gástrico e hematológicos. O tratamento dos sintomas psiquiátricos depende muito da efetividade do tratamento oncológico, mas pode ser sintomático. Pode-se usar Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), atipsicóticos de alta potência. Alguns tumores malignos de mama são prolactino-dependentes, deve-se evitar nestes casos drogas que aumentam ou níveis de prolactina como ISRS, benzodiazepínicos e fenotiazinas. Lítio quando usado deve ser rigorasamente monitorizado. Ácido valpróico e carbamazepina devem ser usados com cautela principalmente nos pacientes que se submeteram a quimioterapia e radioterapia. Benzodiazepínicos (BZD) podem ser usados no tratamento da insônia e ansiedade.
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NEURALGIA DO TRIGÊMIO: Nas afecções autônomas os psicofármacos podem ser o tratamento de escolha nestes pacientes. A carbamazepina é a droga de primeira escolha, iniciando em doses baixas e podendo atingir até 400 - 800 mg/dia. Como segunda opção há os Antidepressivos tricíclicos (ADT) associados ou não a analgésicos e também o clonazepam.
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NEUROPATIA PERIFÉRICA: Diabética: pode-se usar fenitoína, carbamazepina ou uma associação de amitriptilina com flufenazina. Alcóolica: o tratamento envolve tiamina, outras vitaminas do complexo B além do tratamento sintomático e psicoterápico.
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OBESIDADE: Antidepressivos tricíclicos (ADT) podem aumentar o peso por sua ação anti-histamínica e antipsicóticos por mecanismo hipotalâmico. O lítio pode provocar aumento de peso por um efeito insulina-like e pode ser substituido por carbamazepina. Àcido valpróico também pode aumentar o peso, já com os Inibidores da monoamina-oxidase (IMAO) este efeito parece ser mais raro. Pacientes obesos e deprimidos podem se beneficiar do uso de Inibidores seletivos da recaptação da serotina (ISRS).
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PARKINSON: A freqüencia de depressão nestes pacientes é de 40%. Os Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) podem piorar o quadro devido a sintomas extrapiramidais. Deve-se evitar a amoxapina pois pode piorar os distúrbios de movimento por sua ação de bloqueador dopaminérgico. Inibidores da monoamina-oxidase (IMAO) também devem ser evitados por interagirem com L-Dopa. Antipsicóticos como a clozapina podem ser utilizados. O lítio tem sido usado nas distonias dolorosas.
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PSORÍASE: Os pacientes podem ter a primeira manifestação de doença ao usarem lítio, ou podem ter exacerbação do quadro preexistente. No caso de reação severa o lítio deve ser descontinuado, ou pode-se administrá-lo juntamente com o tratamento para a psoríase.
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SÍNDROME NEUROLÉPTICA MALIGNA: É uma reação adversa ao uso de antipsicóticos que se caracteriza por rigidez muscular, hipertermia, alterações no estado de consciência e labilidade autonômica. O tratamento inclui além das medidas de suporte dantrolene ou bromocriptina. No caso de necessidade de antipsicóticos deve-se dar preferência para os de baixa potência.
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TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO: Deve-se evitar o uso de sedativos. Se for necessário pode-se usar haloperidol em baixas doses. Os antipsicóticos de baixa potência são contra-indicados e Benzodiazepínicos (BZD) só devem ser utilizados no caso de convulsões.
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TROMBOCITOPENIA: Evitar o uso de carbamazepina e ácido valpróico.
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TUMOR DE HIPÓFISE: Deve-se dar especial atenção aos adenomas produtores de prolactina quando se prescreve um psicofármaco. Um dos efeitos dos antipsicóticos é a hiperprolactinemia. Assim, na vigência de um tumor de hipófise deve-se dar preferência para a clozapina ou tioridazina. Não há contra-indicação ao uso de antidepressivos, lítio, carbamazepina e Benzodiazepínicos (BZD). A bromocriptina pode provocar estados paranóides agudos, alucinações e depressão psicótica.
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TUMORES INTRACRANIANOS: Os sintomas psiquiátricos podem ser os primeiros a aparecer. O sintoma mais precoce geralmente é a irritabilidade e posteriormente a ansiedade e depressão ou alterações cognitivas. O tratamento consiste em tratar a causa da alteração. Antipsicóticos de alta potência, Antidepressivos tricíclicos (ADT) de menor ação anticolinérgica, Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) podem ser utilizados. O eletrochoque, Inibidores da monoamina-oxidase (IMAO), lítio, anticonvulsivantes devem ser evitados. Os Benzodiazepínicos (BZD) de curta ação podem ser usados no tratamento da insônia.
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ÚLCERA PÉPTICA: Deve-se dar atenção as drogas que causam irritação gástrica. O lítio deve ser prescrito para uso pós-prandial ou na forma de preparação entérica. Antidepressivos tricíclicos (ADT) podem ser benéficos pelo seu bloqueio H2, assim como os antipsicóticos. Os Benzodiazepínicos (BZD) podem ser usados para diminuir a ansiedade. Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) irritam a mucosa gástrica devendo ser evitados.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CORDÁS, T. A ., et al. Condutas em psiquiatria. 2. ed. São Paulo: Lemos, 1995.

TABORDA, J. G. V., et al. Rotinas em psiquiatria. 1. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

CORDIOLI A. V., Interações medicamentosas. IN: CORDIOLI A V. Psicofármacos: Consulta Rápida. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

Katia Lin e Maika Casagrande

 

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