Num modelo animal, investigadores da Stanford University School of Medicine, Stanford, California, demonstraram que a nicotina pode estimular a angiogênese terapêutica e patológica.
“A nicotina estimula a angiogênese em várias situações,” afirmou o Dr. J. P. Cooke, do grupo de pesquisa. “A nicotina pode estimular a angiogênese patológica em tumores, o que desempenha um papel importante no crescimento tumoral, e estimulou a angiogênese em placa aterosclerótica, o que contribui para o crescimento da placa.”
“O reverso da medalha é que também verificamos que a nicotina pode estimular angiogênese terapêutica,” afirmou o Dr. Cooke. Em modelos em animais, quando os investigadores ligavam uma artéria, a nicotina acelerava o crescimento dos novos vasos em torno da obstrução. Os achados estão publicados em recente edição da Nature Medicine.
Uma via no corpo que é responsiva à nicotina faz que as células endoteliais comecem a formar capilares. “Uma parte de nossa obra preliminar em outros estudos sugere que essa via seja importante na angiogênese terapêutica e patológica e que a manipulação dela possa ser útil para a angiogênese terapêutica e também possa ser usada para bloquear a angiogênese patológica.”
O Dr. Cooke acrescentou que “vai ser difícil os médicos ficarem confortáveis com este conceito porque acreditamos que nicotina seja sinônimo de tabaco. Os médicos precisam compreender que a angiogênese é como fogo; se você souber como usá-la apropriadamente, poderá ser útil, mas também pode destruir uma pessoa. Não é boa ou má, mas apenas uma força da natureza.”
Já se sabe que a nicotina tem alguns usos terapêuticos, observou o Dr. Cooke. Por exemplo, está sendo investigada como agente terapêutico para a doença de Alzheimer e a síndrome da dor crônica.
“É provável que o equilíbrio entre efeitos benéficos e prejudiciais da nicotina dependa da dose, do horário, da duração da exposição, do tecido/células-alvos e do perfil genético do hospedeiro,” comenta, em editorial, o Dr. R. K. Jain, do Massachusetts General Hospital, em Boston.
Nat Med 2001;7:775-777,833-839.