Estatinas em pacientes com baixo colesterol e alta PCR
A lovastatina parece reduzir o risco de eventos coronarianos entre os pacientes com níveis lipídicos relativamente baixos, mas altos níveis de proteína C-reativa (PCR), de acordo com dados do ensaio da AFCAPS/TexCAPS relatado recentemente no New England Journal of Medicine.
“Demonstramos previamente que a proteína C-reativa é um potente preditor de futuro infarto do miocárdio e AVC, que as estatinas reduzem os níveis de proteína C-reativa e que as estatinas parecem mais eficazes na presença desta inflamação,” afirmou o Dr. P. M. Ridker, do Brigham and Women’s Hospital, Boston.
No estudo atual, os investigadores verificaram que, entre os participantes com baixos níveis de colesterol e níveis de PCR acima da média, o benefício de fazer uso de uma estatina, em termos de redução de eventos coronarianos, foi grande e para indivíduos com alto colesterol. Aqueles com baixo colesterol e baixos níveis de PCR tinham baixo risco de eventos coronarianos e não se beneficiaram do uso de uma estatina.
Entre 5742 homens e mulheres no ensaio de 5 anos da AFCAPS/TexCAPS, os investigadores dosaram os níveis de PCR em condições basais e após 1 ano. O tratamento com lovastatina reduziu o nível mediano de PCR em 14,8%, independentemente de sua capacidade de baixar os perfis lipídicos.
O grupo do Dr. Ridker verificou que a lovastatina prevenia eventos coronarianos, não apenas entre aqueles cuja relação entre colesterol total e HDL colesterol era mais alta que a mediana, mas também entre aqueles que tinham proporção de colesterol total para HDL colesterol abaixo da mediana e níveis de PCR acima da mediana.
Provavelmente há 25 a 30 milhões de americanos que atualmente estão fora das diretrizes e que poderiam beneficiar-se do uso de uma estatina, acentuou o Dr. Ridker. “Ao mesmo tempo, há mais 25 ou 30 milhões de pessoas que provavelmente não precisam absolutamente fazer uso de estatinas”.
“Achamos que chegou o tempo de fazer um grande ensaio randomizado, tomando pacientes que não se qualificam para estatinas, com base nas diretrizes – pessoas com baixo LDL colesterol e alta proteína C-reativa – e ver se realmente podemos salvar suas vidas”.
O Dr. R. S. Munford, do University of Texas Southwestern Medical Center em Dallas, comenta num editorial de periódico: “Os resultados dos autores, se confirmados em estudos prospectivos, forneceriam as evidências mais persuasivas para a dosagem de proteína C-reativa e lípides sangüíneos em adultos saudáveis.”
N Engl J Med 2001;344:1959-1965,2016-2018.