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Para o consumidor final, observa-se que os resíduos nos alimentos muitas vezes ultrapassam os limites considerados toleráveis. A exposição continuada, por período longo, a níveis relativamente baixos de agrotóxicos pode afetar a saúde humana, levando a casos crônicos, mal definidos, às vezes extremamente graves.
Quando se fala em agrotóxicos ou pesticidas, associa-se estes termos ao produtor do campo e suas atividades, enfim, ao universo rural. Em muitos casos é esquecido de que um spray contra mosquitos também é um pesticida.
Ao consultarmos o rótulo de um destes produtos com mais cautela, descobrimos que até 90% do produto constitui em componentes denominados de “inertes”.
Nos Estados Unidos, de acordo com a Lei Federal de Inseticidas, Fungicidas e Raticidas, os compostos dos pesticidas são considerados inertes quando sua função num produto não é a de matar o organismo-alvo. Uma substância inerte pode tornar o produto pegajoso, pulverizável ou atraente para algum tipo de inseto ou roedor. Mas o termo “inerte” não se refere à toxicidade para outros organismos.
No caso do produto Roundup da Monsanto, atualmente o herbicida mais usado no mundo, um estudo revelou uma diminuição de 90% na produção de certos hormônios reprodutivos nos ratos expostos a ele. Depois que os pesquisadores deram glifosato aos ratos, único ingrediente ativo do rótulo do Roundup, eles não demonstraram nenhuma redução na produção de hormônios. Concluíram que foram os ingredientes inertes do produto os responsáveis pela produção dos hormônios sexuais.
Desde 1987, os fabricantes de pesticidas têm de registrar todos os seus componentes na Agência de Proteção ao Meio Ambiente (EPA – Environmental Protection Agency), mas a maioria dos compostos inertes é protegida por serem considerados segredos industriais. Ativistas norte-americanos estão tentando fazer com que a EPA obrigue os fabricantes de produtos químicos a revelar seus compostos ocultos.
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