Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura - A essência da arnica
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Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura

A essência da arnica

12/01/2004
Fármacos
A essência da arnica
Estudo comprova as propriedades analgésicas e antiinflamatórias da espécie brasileira e indica como desenvolver fitoterápicos seguros
Costuma-se usar chás ou infusões da arnica brasileira ( Lychnophora ericoides ) contra coceira, picada de mosquito, cortes, dores e inflamações. E funciona. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto decidiram saber por quê - e conseguiram. Encontraram três substâncias - dois antiinflamatórios e um analgésico - com atividade farmacológica comprovada em animais de laboratório ou in vitro , diretamente em proteínas. Descobriram também o que cada parte da planta produz: raiz e folhas, mais intensamente, produzem substâncias antiinflamatórias, enquanto os analgésicos estão apenas na raiz. O caule, pelo que já se viu, não produz substâncias de interesse farmacológico.

A equipe de Norberto Peporine Lopes, que coordena esse trabalho, não quer apenas isolar os principios ativos de novos medicamentos. O objetivo é mais amplo: encontrar as melhores condições para o cultivo da planta e a produção de fitoterápicos com qualidade e custos baixos, com a menor quantidade possível de constituintes que possam ter efeitos colaterais. É um percurso que inclui uma revisão nas indicações de uso da arnica, que deve ser apenas tópico (externo). "Não recomendamos a ingestão em hipótese alguma", alerta Lopes. "Algumas substâncias podem ser tóxicas para o fígado." Segundo ele, ninguém sabe ao certo quais são e o que podem fazer as substâncias dos preparados comerciais feitos com a arnica e vendidos como panacéias contra picadas de mosquito, batidas ou luxações.

Entre as mais de 50 substâncias já encontradas nos diferentes extratos, duas - um antiinflamatório derivado do ácido quínico, do tecido interno das folhas, e a lignana cubebina, com potente atividade analgésica, das raízes - exibiram resultados satisfatórios em testes com camundongos Swiss. O segundo foi descrito num artigo da edição de novembro-dezembro de 2000 da revista Phytochemistry . Outros antiinflamatórios, chamados goiasensolido e centraterina, chegaram a um estágio mais avançado: foram testados diretamente sobre as proteínas associadas ao processo inflamatório, também com bons resultados.

Lopes considera o goiasensolido e a centraterina - armazenados principalmente na estrutura da folha chamada tricoma glandular, uma espécie de pêlo modificado - os mais potentes furanoeliandolidos (classe à qual pertencem essas substâncias) inibidores do chamado fator NF-kB, o mensageiro celular responsável pelo início da inflamação. Ao impedir que esse fator se ligue ao DNA (ácido desoxirribonucléico), o NF-kB evita a formação das proteínasiniciadorasda inflamação.

Mas o goiasensolido e a centraterina podem causar reações alérgicas na pele, uma conseqüência indesejada também da arnica européia ( Arnica montana ). Por isso, procura-se aperfeiçoar os métodos de extração e purificação. "Já sabemos como separar essas substâncias ou, pelo menos, como reduzir a concentração dessas lactonas", diz Lopes. "Depois, queremos repassar esses processos para pequenas indústrias, que, aí sim, saberão produzir com qualidade e saber o que estão vendendo."

Os pesquisadores começaram a trabalhar em 1998. Em campos rupestres como as chapadas de Parecis (MT), dos Veadeiros (GO) e Diamantina (BA) e nas serras do Cipó e da Canastra (MG), fizeram coletas e conversaram com erveiros, raizeiros e curandeiros. Objetivo: informar-se sobre a planta e o preparo dos medicamentos.

Em campo, verificaram que os erveiros vendem tanto as partes aéreas - folhas, flores e ramos - como as raízes, todas indicadas como anti-inflamatórios e analgésicos, enquanto os preparados comerciais se valem unicamente das folhas. Perguntando-se por quê, a equipe da USP decidiu estudar as atividades terapêuticas de cada parte da planta. Encontraram nas folhas apenas substâncias com atividade antiinflamatória e nas raízes principalmente a atividade analgésica, embora também tenham secundariamente propriedades antiinflamatórias.
Site da Fapesp


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