Infecto-contagiosas/Epidemias - Mononucleose, a doença do beijo
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Mononucleose, a doença do beijo

14/01/2004

 


Cerca de 95% dos adultos já tiveram a virose Mononucleose Infecciosa, também conhecida como a doença do beijo. Transmitida pela saliva, e mais raramente por transfusão de sangue ou contato sexual, ela é mais comum entre adolescentes e adultos jovens e muitas vezes é confundida com outras doenças. Alguns médicos da Zona Sul do Rio de Janeiro, inclusive, têm atendido um maior número de pacientes com sintomas compatíveis com essa virose, principalmente adolescentes.

- A doença tem distribuição no mundo todo, não há uma época do ano e nem sexo de maior incidência - afirma Lenir Nascimento da Silva, pediatra da creche Fiocruz, nas unidades Manguinhos e Instituto Fernandes Figueira.

Apesar de ser uma doença que atinge mais adolescentes e adultos jovens, são as condições socioeconômicas que definem em que época da vida pode-se contraí-la. Quanto mais desenvolvido um país, mais tarde as pessoas contraem a doença. Na Europa, cerca de 70% dos jovens entre 17 e 19 anos já tiveram contato com a doença, enquanto em São Paulo, por exemplo, 80% das pessoas têm anticorpos característicos da doença até os 14 anos.

- Alguns fatores que influenciam a transmissão são as más condições de higiene e grande concentração de pessoas em espaço pequeno, o que facilita o contato mais íntimo - diz Lenir.

A mononucleose é transmitida pelo vírus Epstein-Barr e tem duração média de duas a quatro semanas. Seus principais sintomas são: dor de garganta, febre, mal estar, fadiga, aumento dos gânglios, que ficam dolorosos, do baço e do fígado. Cerca de 8% das pessoas que contraem a doença pode apresentar "rash", uma espécie de irritação que deixa a pele de cor avermelhada, com consistência de uma lixa. Esse sintoma pode aumentar para 70 a 100% quando o doente recebe Ampicilina ou Penicilina. Por essa razão, é importante o diagnóstico correto e evitar a automedicação.

Não existe tratamento específico para combater a doença, apenas os sintomas são tratados. A prevenção também é difícil, pois as vacinas ainda estão em desenvolvimento. A virose geralmente não é fatal, mas pode apresentar complicações como meningite, encefalite, anemia hemolítica, rompimento do baço. Ainda no caso dos adultos, é bastante característica a fadiga, que passa após algumas semanas. E não só isso.

- Algumas pesquisas mostram que o material genético do vírus da mononucleose é encontrado em dois tipos de câncer não muito comuns: o câncer nasofaringeo e o linfoma de Burkitt. - afirma Lenir Nascimento.


Saiba mais sobre a Mononucleose Infecciosa
Devido à natureza de seus sintomas, a mononucleose infecciosa pode ser confundida com rubéola, escarlatina, citomegalovirose, e outras. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico e também por exames complementares, como o exame de sangue e pesquisa de alguns tipos de anticorpos.

Nem sempre o diagnóstico é possível, pela doença apresentar-se de forma não característica, ou por exames laboratoriais não conclusivos (mais comum em crianças). Quando é necessário um diagnóstico preciso, são feitos exames de pesquisa do vírus em secreções.

Adultos e crianças podem ser portadores assintomáticos e, assim, transmitir a doença sem nunca ter apresentado sintomas clínicos. Em relação à transmissão, ela não acontece de forma constante. As pessoas podem expelir o vírus de forma intermitente - às vezes, a saliva não contém vírus. Dessa forma, não é uma característica da doença a ocorrência de epidemias e também não é necessário o isolamento do doente.

Edilene Lopes

compilado pela graduanda em Medicina da UNIGRANRIO:

Danielle Fernanda de Campos Morais

 www.iff.fiocruz.br


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