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Nas duas últimas semanas, estudos científicos sobre os efeitos do tratamento da reposição hormonal na menopausa (TRH) deixaram as mulheres preocupadas. As suspeitas de que os hormônios poderiam aumentar o risco de câncer e derrame deixam dúvidas sobre a eficácia da TRH. Na última terça-feira, pesquisadores americanos disseram que mulheres que usam apenas estrogênio após a menopausa têm um risco maior de desenvolver câncer de ovário. Na opinião de alguns especialistas, a saída é o uso de hormônios obtidos a partir de vegetais. Os fitohormônios são substâncias com moléculas semelhantes aos hormônios produzidos naturalmente no organismo. Eles são obtidos a partir de vegetais, principalmente soja, inhame, trevo vermelho (red clover) e cimicifuga (black cohosh). Depois de manipulados, são vendidos em forma de cápsulas e gel. Com os fitohormônios é possível obter a estimulação hormonal mais suave, menor que a produzida com as substâncias fabricadas em laboratórios. Isso significa também menor possibilidade de ganho de peso, inchaço, problemas mamários, varizes, aumento da coagulação e formação de cistos com a TRH. Alguns estudos mostram que a TRH com fitohormônios protege contra osteoporose e doenças cardiovasculares, mas cerca de 15% das mulheres não respondem ao tratamento apenas com essas substâncias. Nesses casos, é preciso associá-los à medicação convencional, mas em menor dose que o habitual. Os benefícios da TRH com fitohormônios ainda são poucos conhecidos no Brasil. Mas a terapia tem boa aceitação na comunidade científica da Europa, principalmente na Alemanha e França. E os custos mensais do tratamento são praticamente os mesmos da reposição com hormônios convencionais: cerca de R$ 40. Como primeira opção em fitohormônios na menopausa, os médicos têm as plantas com maior ação estrogênica, como o trevo vermelho e a cimicifuga. Além disso, recomendam o consumo de soja duas a três vezes por dia. Para melhorar a densidade óssea, existe o inhame mexicano. Há opções para aumentar a libido, o desejo sexual, como o tribulus. Os efeitos adversos com os fitohormônios são mínimos. Às vezes ocorrem problemas intestinais. Além do maior consumo de soja, que já mostrou efeito protetor contra câncer e doenças cardiovasculares, é recomendável para as mulheres na menopausa alimentos ricos em compostos conhecidos como lignanas, comum em sementes de linhaça, trigo, aveia, milho e brócolis.
Saiba mais
Soja: Pesquisas com populações asiáticas que consomem alimentos ricos em estrogênio de soja (isoflavonas) mostram que elas tiveram redução do índice de mortalidade por câncer de mama, de endométrio e até próstata, além de menor incidência de doenças cardiovasculares e osteoporose. Lignanas: São compostos encontrados na parede celular de vegetais, especialmente grãos integrais, legumes e sementes, principalmente linhaça. A cenoura e o brócolis também são boas fontes. Estudos mostram que os vegetais têm efeito protetor contra câncer de mama, de ovário e de útero. Cimicifuga: É conhecida como black cohosh e também é usada para aliviar sintomas pré-menstruais, porque atua sobre o útero, aliviando as cólicas e a congestão uterina. Na menopausa, estudos dizem que alivia os calores, o colesterol e a pressão arterial. Dong quai: É também conhecida como Angelica sinensis. Equilibra o ciclo menstrual e fortalece o útero. Na menopausa, ajuda a aliviar as ondas de calor. É rica em estrogênios naturais. Chasteberry: É muito usada para tratar a depressão na menopausa, atuando como receptor do mensageiro químico dopamina. Ela tem ação semelhante à progesterona e, segundo pesquisas, também aumenta o desejo sexual e reduz o ressecamento vaginal na menopausa. Alcaçuz: Também chamada licorice, é uma erva doce e contém compostos com ação semelhante ao estrogênio. Tem capacidade antiinflamatória e atua como protetora do fígado.
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