Vacina/Vacinação - Vacinas na raiva Humana 1
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Vacina/Vacinação

Vacinas na raiva Humana 1

08/06/2003

 

Fuenzalida & Palácios:

Composição e Doses: a vacina humana utilizada no Brasil, pela rede oficial, é a de FUENZALIDA & PALÁCIOS, com vírus inativado ("morto"), apresentada como: suspensão de 2% de cérebros de camundongos-lactentes, infectados com vírus rábico fixo (amostras PRODUCTIONS VÍRUS (P.V.) ou CHALENGE VÍRUS STANDARD (CVS), inativadas por raios ultra-violeta ou betapropiolactona) e com potência mínima de 0,6UI/ dose. A vacina apresenta aspecto opalescente. Havendo precipitação, deve ser agitada antes do uso; caso não ocorra desaparecimento do precipitado, desprezar o frasco. A vacina deve ser conservada em geladeira, fora do congelador, com temperatura entre +2ºC a + 8ºC até o momento de sua aplicação, observando-se o prazo de validade do fabricante. A dose da vacina contra a raiva humana é de 1ml, independente da idade ou peso. A via de aplicação recomendada é a intramuscular profunda, na região do deltóide. Em crianças de até dois anos de idade, pode ser utilizada a face lateral externa da coxa. Não se recomenda aplicar na região glútea.

Reações Adversas: as mais comuns são as reações locais (dor e eritema), reações alérgicas sistêmicas (urticárias) e, mais raramente, reações neurológicas (mielite, polirradiculoneurite e outras). Faz-se necessário :

·         investigar história de vacinação anterior com FUENZALIDA & PALÁCIOS, para verificação da ocorrência de reação adversa e qual o tipo;

  • ocorrendo reações locais e alérgicas leves, recomenda-se o uso de anti-histamínicos e analgésicos e continuação do esquema com a vacina FUENZALIDA & PALÁCIOS;
  • havendo reação alérgica grave, proceder o tratamento com anti-histamínicos e continuar o esquema com a VACINA DE CULTIVO CELULAR;
  • na vigência de sintomas sugestivos de comprometimento neurológico (cefaléia com dor muscular e articular, diminuição do tônus muscular, parestesia plantar e outros sintomas e sinais neurológicos) reavaliar o caso e completar o esquema com a VACINA DE CULTIVO CELULAR; e
  • todo o caso de reação adversa deve ser notificado ao sistema de controle de efeitos adversos das Secretarias Estaduais de Saúde.

·         Vacina de Cultivo Celular; as vacinas são produzidas em cultura de células diplóides humanas ou células VERO infectadas com amostras de vírus P.V. ou PITTMAN-MOORE (P.M.) inativas pela betapropiolactona. Elas são apresentadas sob a forma liofilizada, acompanhadas de diluente, para aplicação por via intramuscular (1,0ml e 0,5ml por dose, respectivamente, para a de células humanas e VERO).

·         Soros:

Composição e Dosagem: soro heterólogo é uma solução concentrada e purificada de anticorpos, preparado em eqüinos imunizados com antígeno rábico. O soro deve ser conservado na parte baixa da geladeira, entre +2º a +8ºC, observando-se o prazo de validade do fabricante. A administração do soro é por via intramuscular, podendo ser utilizada a região glútea. A dose é de 40 UI/KG de peso (dose máxima de 3000 UI), que pode ser dividida e aplicada em diferentes músculos simultaneamente. Nunca utilizar a mesma seringa e região anatômica para aplicação de soro e vacina. Quando não se dispuser do soro ou de sua dose total, aplicar inicialmente a parte disponível. Iniciar imediatamente a vacinação e administrar o restante do soro, da dose recomendada, até 7 dias do inicio da vacinação. Caso a região anatômica permita, deve-se aplicar a maior quantidade possível da dose de soro recomendada em torno da(s) lesão(ões) e o restante por via intramuscular. O uso do soro não é necessário quando o paciente for considerado imunizado anteriormente. A anamnese é de fundamental importância antes da indicação do soro heterólogo, já que o mesmo pode causar reações adversas. Essas reações podem ser do tipo anafilática, anafilactóide ou doença do soro. A possibilidade de sua ocorrência NUNCA contra-indica a prescrição do soro. Nos pacientes com história prévia de reação anafilática ao soro heterólogo, de origem eqüina, está indicado o uso do soro homólogo.

·         Teste de Hipersensibilidade ao Soro: o teste de hipersensibilidade ao soro heterólogo tem valor preditivo baixo, mais é freqüentemente utilizado antes da administração. O teste cutâneo deve ser realizado da seguinte forma:

VIA DE

ADMINISTRAÇÃO

MATERIAL

(CONCENTRAÇÃO)

DOSE

1a. Etapa - Puntura

Soro ( Não diluído)

1 gota

2a. Etapa - ID Intradérmica) ID (Controle )

Soro (1:100)

Soro fisiológico

0,02ml

0,02ml

OBS: A leitura deve ser realizada 15 minutos após a aplicação; Caso não ocorra positividade no teste de puntura, proceder o teste ID; e caso ocorra positividade no teste de puntura, não proceder o teste ID.

·         Puntura: Após assepsia local com álcool, pingar uma gota na superfície da pele e realizar a puntura sobre a gota com o bisel da agulha voltado para cima. A puntura deve ser o mais superficial possível, evitando sangramento.

·         Teste intradérmico (I D): Preparo da diluição 1:100 - 0,1 ml do soro heterólogo em 9,9 ml de solução fisiológica (cloreto de sódio à 0,9%).

Obs: Utilizar frascos estéreis para diluir, seringa de 1 ml e agulha 13x 4,0 (insulina ou tuberculina).

·         Leitura do Teste de Hipersensibilidade: considera-se positiva a formação de pápula igual ou maior que 5 mm no local da inoculação do soro diluído. Considera-se o teste com soro fisiológico (controle) negativo, quando não ocorrer formação de pápula ou esta for igual ou menor que 3mm. As seguintes alternativas podem ser observadas:

Diluição

(Soro Heterológico)

Material

(Concentração)

Dose

+

-

Fazer dessensibilização ou soro homológo

+

+

Fazer dessensibilização ou soro homológo

-

-

Aplicar o soro heterólogo

Soro homólogo (imunoglobulina hiperimune anti-rábica humana) é uma solução concentrada e purificada de anticorpos, preparada a partir de hemoderivados de indivíduos imunizados com antígenos rábicos. O soro deve ser conservado entre +2º a +8º C, protegido da luz, observando-se o prazo de validade do fabricante. Havendo disponibilidade ou indicação de imunoglobulina anti-rábica humana, a dose é de 20 UI/Kg de peso corporal independente da idade (dose máxima de 1500 UI), através da via intramuscular. Efeitos colaterais que podem ocorrer são: dor local e mais raramente febre moderada.

Nota: É indispensável que a dessensibilização seja realizada sob supervisão médica dispondo-se das condições básicas de terapia adequada para qualquer eventualidade (adrenalina, anti-histamínicos, corticóide e material para assistência ventilatória).

  • Preparo das soluções:

·         1:10 = 1ml de soro anti-rábico + 9ml de solução fisiológica

  • 1:100 = 1ml de solução 1:10 +9ml de solução fisiológica
  • 1:1000 = 1ml da solução 1:100 + 9ml de solução fisiológica

Dessensibilização por via subcutânea, observando intervalos de 30 minutos entre cada aplicação.

 

No de doses

Quantidade de soro (ml)

Diluição

1

2

3

4

0,1

0,2

0,4

0,7

1:1000

5

6

7

8

0,1

0,2

0,4

0,7

1:100

9

10

11

12

0,1

0,2

o,4

0,7

1:10

13

14

15

16

17

0,1

0,2

0,4

0,7

1,0

Não diluído

·         Esquema Para Tratamento Anti-rábico Humano com FUENZALIDA & PALÁCIOS

Pré-Exposição: é indicada para pessoas que, por força de suas atividades, estejam expostas PERMANENTEMENTE ao risco de infecção pelo vírus rábico, tais como: médicos veterinários; biólogos; profissionais e auxiliares de laboratório de virologia e anatomopatologia para raiva; estudantes de medicina; veterinária; biologia, técnico agrícola e outros profissionais afins. É indicada também para aqueles que atuam no campo, capturando, vacinando, identificando e classificando animais passíveis de portarem vírus.

·         Esquema: 4 doses

  • Dias de aplicação: 0, 2, 4, e 28
  • Via de administração: intra muscular profunda
  • Local de aplicação: músculo deltóide
  • Controle sorológico: 15 a 30 dias após a última dose do esquema

Resultados: < 0,5 UI/ml (insatisfatório), fazer uma dose de reforço e avaliar novamente entre 15 a 30 dias após o reforço; = ou > 0,5 UI/ml (satisfatório), reforço anual.

Obs: No passado, os títulos recíprocos iguais ou superiores a 25 (diluição 1:25), pela prova de soroneutralização, eram considerados como resposta imune satisfatória. Deve-se fazer o controle sorológico anual, administrando-se uma dose de reforço sempre que os títulos forem inferiores ao acima citados. Repetir a sorologia cerca de 15 a 30 dias após a dose de reforço.

 

Funasa


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