A gonadotrofina coriônica (hCG) induz a ovulação e também estimula o amadurecimento do óvulo, preparando-o para a fecundação
A engenharia genética está ajudando mulheres com dificuldade para engravidar. Graças a essa tecnologia, foi desenvolvida uma versão mais eficaz de um hormônio importante nos processos de reprodução assistida, que acaba de ser lançada no Brasil. A gonadotrofina coriônica (hCG) induz a ovulação e também estimula o amadurecimento do óvulo, preparando-o para a fecundação.
De acordo com Jorge Haddad Filho, coordenador do Centro de Reprodução Humana da Unifesp, a hCG substitui o hormônio luteinizante, que é produzido naturalmente pelo organismo e é responsável pelo rompimento do folículo ovariano, liberando o óvulo.
Até agora, a gonadotrofina era produzida a partir da urina de mulheres grávidas. A nova versão é obtida a partir de um gene e, por isso, é mais pura e não contém proteínas contaminantes. Segundo o ginecologista Vicente Abdelmassih, essas proteínas, presentes na hCG urinária, reduzem o efeito do remédio. "A contaminação faz com que a hCG urinária tenha sua eficácia reduzida, podendo causar a chamada síndrome do folículo vazio, na qual deixamos de obter óvulos da paciente."
Após ministrar os dois tipos de gonadotrofina para cem pacientes --50 receberam a hCG urinária, e 50, a nova hCG--, Abdelmassih observou que o segundo grupo apresentou óvulos de melhor qualidade e registrou 58% de gestações bem-sucedidas, resultado superior ao apresentado pelas mulheres tratadas com a hCG urinária (42%). "Lembrando que 25% das causas da infertilidade feminina têm como origem as disfunções hormonais que causam falha na ruptura do folículo ovariano, esse resultado é animador", diz ele.
O hormônio, comercializado com o nome de Ovidrel, exige prescrição médica e pode ser aplicado pela própria paciente por meio de uma injeção subcutânea. "Nos outros métodos, a injeção é intramuscular, mais profunda, o que faz as mulheres terem de correr às farmácias. A injeção subcutânea traz mais comodidade, pois a hCG, muitas vezes, precisa ser aplicada à noite", explica Abdelmassih.
Folha de S.Paulo, Karina Klinger, 23/12/03