Problemas Ocupacionais/Vigilância Sanitária - Vigilância Epidemiológica Doenças Diarréicas Agudas
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Problemas Ocupacionais/Vigilância Sanitária

Vigilância Epidemiológica Doenças Diarréicas Agudas

08/06/2003

 

 


Vigilância Epidemiológica
Doenças Diarréicas Agudas

CID - 10
A09

· Notificação: considerada a magnitude das diarréias, evidencia-se improdutiva a tentativa de manter sobre elas uma vigilância que envolva a notificação de casos isolados e a investigação constante de casos. A estratégia que se apresenta mais viável é a de efetuar a medição contínua da ocorrência das diarréias, em termos numéricos. Essa atividade deverá ser desenvolvida em nível local, na área de abrangência de cada unidade de saúde, ou daquelas eleitas como "sentinelas", e corresponde à monitorização. · Investigação Epidemiológica: a investigação implica no levantamento de todas as variáveis capazes de conduzir à detecção da fonte de contaminação. Deve ser colhido material para exame laboratorial, conforme citado anteriormente, para que se isole o agente etiológico responsável pelo episódio. Essa amostra deve ser colhida preferencialmente dos casos mais graves e mais característicos, seguindo as técnicas preconizadas. Da mesma forma, deve-se tentar delimitar a área de ocorrência dos casos e a distribuição temporal segundo o início dos sintomas. No meio ambiente serão pesquisadas as possíveis fontes de contaminação, coerentes com o agente etiológico isolado ou suspeito. Individualmente, os ambientes domésticos devem ser analisados tanto sob o ponto de vista físico (condições de saneamento, limpeza e acesso a melhorias de serviço público), como em relação aos hábitos e costumes de seus ocupantes quanto à higiene e alimentação, principalmente. A reunião destas informações e sua análise deverão ser capazes de indicar a fonte de infecção que pode ser variada como pessoas, alimentos, fontes de abastecimento de água, utensílios, animais domésticos, entre outros. · Monitorização: é uma expressão que corresponde à palavra "monitoring", originária da língua inglesa. O significado que lhe foi dado é de acompanhamento e avaliação. Na área da saúde, os textos técnicos usam esta palavra com o significado de controlar e, às vezes, ajustar programas e também observar atentamente ou controlar com propósito especial. A monitorização das doenças diarréicas deve ser entendida como um processo de elaboração e análise de mensurações rotineiras capazes de detectar alterações no ambiente ou na saúde da população e que se expressem por mudanças na tendência das diarréias. Ela pode conferir ao sistema de vigilância uma maior agilidade quanto à tomada de decisões, seja para intervenção direta, seja para o desencadeamento de processos mais apurados de pesquisa e diagnóstico de situação. · Registro dos Casos: de início, as unidades sentinelas deverão contabilizar os casos de diarréia atendidos, por semana epidemiológica, e registrar algumas informações, como: iniciais ou nome, data do início dos sintomas, data do primeiro atendimento relativo ao episódio atual, idade, procedência e tipo de encaminhamento dado ao paciente em relação ao seu tratamento. Estes dados devem ser consolidados, semanalmente, pelo nível local, em formulários padronizados. Nesse nível já deve ser feita uma primeira análise da situação das diarréias. Paralelamente ao registro numérico dos casos, as unidades de saúde serão instruídas a mapeá-los e a confeccionar gráficos de acompanhamento. · Definição da Área de Abrangência da Unidade de Saúde: por se tratar de uma tentativa de melhorar a capacidade de análise e de diagnóstico do nível local, é fundamental que cada unidade tenha noção da sua área de abrangência real. Para tal, deverá ser feito um levantamento da procedência dos pacientes que compõem a demanda costumeira do serviço de saúde. Após esta atividade, será identificada em um mapa a área que é atendida por cada Unidade de Saúde. De posse desse dado, deve-se buscar junto ao IBGE a população de cada setor censitário contido na área definida como de abrangência e estimar a população assistida pela unidade em questão. Dessa forma, passa-se a conhecer em que áreas em particular podem estar ocorrendo surtos ou casos repetidos intermitentemente, o que é de extrema valia no processo de investigação ou busca ativa de casos. As Unidades de Saúde devem ser estimuladas a manter seu mapa atualizado quanto à localização dos casos de diarréia atendidos. Esse mapa deve ser trocado ao final de cada mês e guardado para comparação com registros anteriores e posteriores, na tentativa de definir um padrão de doenças diarréicas para aquela localidade em função do tempo e do espaço. · Definição de Caso: será considerado um caso de diarréia aguda aquele em que o indivíduo apresentar fezes cuja consistência revele aumento do conteúdo líquido (pastosas, aquosas), com aumento do número de dejeções diárias e duração inferior a 2 semanas. Conduta Frente a um Caso: · Início imediato da reidratação oral após avaliação inicial do paciente; · Encaminhamento para nível secundário ou terciário se for um caso grave; · Preenchimento das fichas e planilhas padronizadas; · Avaliação da possibilidade de tratar-se de cólera (ver capítulo sobre Cólera); · Coleta de material para exame laboratorial nas situações indicadas; · Orientações ao paciente ou familiares sobre a conduta a seguir. Conduta Frente a um Surto: embora de características endêmicas, a diarréia pode apresentar casos relacionados entre si, seja quanto à clínica, à distribuição espaço-temporal, ou à provável fonte de infecção, que são capazes de caracterizar um surto. Nessas circunstâncias, deve-se desencadear um processo de investigação que permita colher as informações necessárias à eleição de medidas de intervenção. Nesse processo, o objetivo principal é caracterizar o agravo e definir sua fonte de infecção, de modo a propor-se manobras que interrompam a cadeia de transmissão. O sucesso dessa tentativa vincula-se, na maioria das vezes, à precocidade da detecção dos surtos e à agilidade da investigação. A auto-limitação dos episódios, os curtos períodos de incubação, a auto-medicação, a indisponibilidade de amostras para exames, ou restrições da resolutividade dos laboratórios são alguns dos fatores que prejudicam as ações pretendidas. · Análise dos Dados: no processo de monitorização a análise deve ser feita para acompanhar a tendência das diarréias. A consolidação semanal do total de casos, considerados segundo variáveis medidas, deve facultar ao nível local a detecção precoce de alterações no padrão das diarréias para aquela localidade. É desejável que cada unidade monitorizadora seja capaz de analisar constantemente os dados por ela colhidos. As mudanças detectadas devem desencadear os processos de investigações, ou estudos que darão subsídios a intervenções objetivas e eficientes. No processo de investigação: uma vez desencadeado, o processo passa por etapas que deverão levar à descoberta da fonte de infecção, bem como identificar possíveis fatores de risco e proteção a serem considerados no aconselhamento quanto a medidas de controle. Nesse caso, os dados devem ser analisados segundo sua distribuição semanal, anual, geográfica e, também, quanto à faixa etária. Da mesma forma a mortalidade e a letalidade devem ser estudadas, assim como as taxas de internação e os resultados dos exames laboratoriais. Outras informações podem ser consideradas no sentido de ampliar a possibilidade de sucesso da análise, tais como: absenteísmo escolar, atestados médicos pela causa (CID) estudada, número de episódios internados/atendidos, reinternações, consumo de SRO e de antidiarréicos.

Funasa

 

 

 


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