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Diagnóstico Laboratorial da Sífilis Congênita
· Pesquisa Direta Através da Microscopia em Campo Escuro: indicado para material das bolhas das dermatites e do condiloma plano. Permite visualização do Treponema pallidum. Um único teste tem sensibilidade não superior a 50%. A não detecção do Treponema não exclui o diagnóstico de sífilis, pois, mesmo usando técnica correta, uma das seguintes situações pode ocorrer: um número insuficiente de microrganismos estava presente; o paciente já fez uso de antibióticos; ou a lesão se encaminhava para a resolução natural.
· Sorologia não Treponêmica: VDRL (Veneral Disease Research Laboratory) e RPR (Rapid Plasma Reagin): ambos detectam anticorpos do paciente dirigidos contra cardiolipina (antígeno), e têm semelhantes especificidade (98%) e sensibilidade (80% na fase primária, 100% na fase secundária e 80% na fase latente). Ao contrário do VDRL, o RPR não necessita de microscópio para leitura dos resultados. Ambos permitem testes qualitativos (reagente/não reagente) e quantitativos (titulações). São importantes para o diagnóstico (títulos a partir de 1:2 devem ser considerados para o diagnóstico) e seguimento pós-terapêutico (esses testes, em geral, resultam reagentes por longos períodos, mesmo após a cura da infecção, porém apresentam progressiva queda nas titulações, até que se tornem não-reagentes). O VDRL realizado em amostra de sangue do cordão umbilical do recém-nascido é menos específico que o realizado em amostra de sangue de vaso periférico, pois, no primeiro, há mistura com o sangue materno e intensa atividade hemolítica, levando a grande número de sororreações falso-negativas, devendo portanto ser abandonado como prática de rotina. |
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- Sorologia Treponêmica: FTA-Abs (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption), FTA-Abs/IgM e MATP (Microhaemagglutination Assay for Antibodies to T. pallidum): são testes mais específicos, pois utilizam o T. pallidum como antígeno. São testes confirmatórios, úteis para exclusão de falsos positivos à sorologia não treponêmica. O MHATP é um pouco menos específico que o FTA-AbS, porém é mais fácil de realizar, pois não necessita de técnicas e microscópio para imunofluorescência. O FTA-AbS/IgM não é disponível como um exame de rotina. Em geral, os testes treponêmicos permanecem reagentes por toda a vida, mesmo após a cura da infecção.
· Outros Exames
· RX de Ossos Longos (úteis para demonstrar alterações ósseas nas metáfises e/ou epífises).
- Exame do Líquido Céfalo-Raquidiano/LCR (no caso de neurossífilis, detecta-se alterações na contagem de linfócitos, na dosagem de proteínas e os testes sorológicos para Sífilis podem ser reagentes). Recomenda-se realizar LCR em todos recém-nascidos inclusos na definição de caso, pois a conduta terapêutica dependerá da confirmação, ou não, de neurossífilis.
· Aspectos Terapêuticos: como já mencionado, a conduta terapêutica varia de acordo com a classificação clínica do caso. Apresenta-se, a seguir, as recomendações terapêuticas para a Sífilis Congênita.
· No Período Neonatal: para todos os casos, teremos que ter em mente que: a) toda gestante terá VDRL à admissão hospitalar ou imediatamente após o parto; b) todo recém-nascido cuja mãe tenha sorologia positiva para sífilis, deverá ter VDRL de sangue periférico.
A. Nos recém-nascidos de mães com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, independentemente do resultado do VDRL do recém-nascido, realizar: raio X de ossos longos, punção lombar , e outros exames quando clinicamente indicados.
A1 - Se houver alterações clínicas e/ou sorológicas e/ou radiológicas, o tratamento deverá ser feito com Penicilina Cristalina na dose de 100.000 U/Kg/dia E.V. em 2 ou 3 vezes, dependendo da idade, por 7 a 10 dias; ou Penicilina G procaína: 50.000 U/Kg I.M. por 10 dias.
A2 - Se houver alteração liquórica: realizar o tratamento com Penicilina G. Cristalina na dose de 150.000 U/Kg/dia E.V. em 2 ou 3 vezes, dependendo da idade, por 14 dias.
A3 - Se não houver alterações clínicas, radiológicas, liquóricas e a sorologia for negativa no recém-nascido, dever-se-á proceder ao tratamento com Penicilina Benzatina, via IM, na dose única de 50.000 U/Kg. O acompanhamento ambulatorial é desejável, incluindo o seguimento do VDRL sérico com 1 e 3 meses.
B. Nos recém-nascidos de mães adequadamente tratadas: realizar o VDRL em amostra de sangue periférico do recém nascido; se este for reagente ou na presença de alterações clínicas, realizar raio X de ossos longos e punção lombar.
B1 - Se houver alterações clínicas e/ou radiológicas, tratar como em "A.1".
B2 - Se a sorologia (VDRL) do recém-nascido for 4 vezes maior (ou seja duas diluições) que a da mãe, tratar como em "A.1".
B3 - Se houver alteração liquórica - tratar como em "A.2".
B4 - Se não houver alterações clínicas, radiológicas, liquóricas e a sorologia for negativa no recém-nascido, acompanhar o paciente, mas na impossibilidade, tratar com Penicilina Benzatina, via IM, na dose única de 50.000 U/Kg.
Observações:
a. No caso de interrupção por mais de 1 dia, o tratamento deverá ser reiniciado.
b. Em todas as crianças sintomáticas deverá ser efetuado exame oftalmológico (fundo de olho).
· Seguimento: ambulatorial mensal:
· realizar VDRL com 1, 3, 6, 12, 18 e 24 meses , interrrompendo quando negativar;
- diante das elevações de títulos sorológicos ou da não negativação destes até os 18 meses, reinvestigar o paciente.
· Após o Período Neonatal: em toda criança com suspeita de sífilis congênita fazer o exame do LCR e iniciar o tratamento com penicilina G. cristalina 100.000 a 150.000 U/Kg/dia, administrada a cada 4 a 6 horas, durante 10 a 14 dias.
Funasa |
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