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Vigilância Epidemiológica do TÉTANO ACIDENTAL
O objetivo principal da vigilância epidemiológica do tétano consiste no conhecimento da distribuição de casos, de acordo com diferentes variáveis: área de ocorrência, grupos etários, ocupação, tipo de ferimento que constitui a porta de entrada, condições de atendimento, dentre outras. A vigilância epidemiológica visa, além do acompanhamento do comportamento da doença (tendências de morbidade e mortalidade, seqüelas), à avaliação da eficiência e da eficácia das medidas de controle adotadas (programa de vacinação, tratamento profilático de pessoas expostas ao risco, atendimento e tratamento de doentes).
· Notificação: o conhecimento sobre a ocorrência de casos de tétano deve ser obtido através de morbidade e mortalidade. No primeiro caso, a fonte básica de informação é o hospital, uma vez que o tratamento da doença impõe necessariamente a hospitalização do paciente. O sistema de vigilância epidemiológica deve, portanto, identificar os hospitais onde são internados pacientes com tétano. Os dados de mortalidade são obtidos das declarações de óbito, sendo, por vezes, a primeira informação conhecida sobre os casos. Todos os casos conhecidos devem ser notificados pelo nível local ao órgão responsável pela vigilância epidemiológica no nível municipal e este à Secretaria Estadual de Saúde. Os casos de tétano devem ser informados ao nível nacional por meio de boletim semanal de notificações de doenças. Trimestralmente, deverá ser informado ao nível nacional o número de casos investigados e confirmados da unidade federada, por grupo etário, situação vacinal e semana epidemiológica de ocorrência. |
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· Definição de Caso
Todo paciente que apresenta TRISMO e ou contraturas musculares localizadas ou generalizadas, que não se justifiquem por outras etiologias, deve ser suspeito de tétano, particularmente na ausência de história vacinal adequada. A falta de ferimentos sugestivos de porta de entrada não afasta a suspeita de tétano, pois os mesmos não são detectados em boa percentagem de casos.
· Investigação Epidemiológica: todo caso ou óbito conhecido deve ser investigado, com o preenchimento de uma ficha de caso que contém os dados relevantes para o estudo e análise a serem feitos posteriormente. Com essa finalidade deve ser visitado o hospital que atendeu ao caso, para obtenção das informações pertinentes. Se necessário, será feita visita domiciliar para a verificação de dados complementares não conseguidos no hospital. Com relação aos óbitos, para que sejam incluídos no Subsistema de Informações sobre Mortalidade, deverão ter a confirmação diagnóstica da causa básica do óbito pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica.
· Análise de Dados: os dados obtidos através das diferentes formas de coleta devem ser consolidados e analisados de modo a permitir o acompanhamento da tendência da doença. Sua análise compreende os seguintes aspectos principais:
a. dados sobre utilização da vacina tríplice (DPT), para estimar a cobertura vacinal de crianças menores de um ano de 1 a 4 anos;
b. dados sobre a utilização do toxóide tetânico (TT e dT) em gestantes e em outros grupos de risco, para estimar as coberturas;
c. distribuição de casos por idade e estado vacinal, para avaliar a eficácia da vacinação;
d. casos conhecidos através das declarações de óbito, para estimar, com base em um coeficiente médio de letalidade conhecido, o número de casos esperados e, em decorrência, o índice sub-registro;
e. estudo pormenorizado das fichas de casos que fornecem dados de maior profundidade sobre situação epidemiológica do tétano, destacando-se os seguintes aspectos:
· determinação dos grupos populacionais expostos ao maior risco de adoecer e de morrer, através da distribuição dos casos e óbitos, segundo sexo, idade, ocupação e município de residência;
- características dos ferimentos mais freqüentes responsáveis pela instalação do tétano: tipo, região afetada e circunstâncias em que ocorreu o ferimento (verificar se ocorreu durante o exercício profissional ou não);
- indicação da eficácia dos programas de vacinação com toxóide tetânico, através da distribuição dos casos de acordo com a idade e o estado vacinal anterior (número de doses recebidas, intervalo entre as doses, tempo decorrido desde a última aplicação);
- determinação de outros fatores de risco, com úlceras de pernas (crônicas, varicosas, diabetes); mal perfurante plantar, tratamento dentário e pessoas da 3ª idade;
- indicação da eficiência das medidas de tratamento profilático, mediante a análise da distribuição dos casos, segundo a administração ou não do soro antitetânico e o tempo decorrido entre essa e o ferimento;
- condições de tratamento proporcionado aos doentes, o que pode ser estimado através do controle eficiente da letalidade, por hospitais.
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